SEGUNDO TURNO

Ratinho Jr pede votos a Flávio; Greca declara voto em Lula

Por Catarina Scortecci | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
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Na reta final da campanha, Lula e Flávio ainda costuram apoios
Na reta final da campanha, Lula e Flávio ainda costuram apoios

Com seu grupo derrotado no Paraná após as urnas de 4 de outubro, o governador Ratinho Junior (PSD) aderiu à campanha à presidência de Flávio Bolsonaro (PL) nesta reta final da disputa ao Planalto.

Aliados até o início deste ano, o PL da família Bolsonaro e o grupo de Ratinho Junior seguiram caminhos diferentes na eleição no Paraná. O senador Sergio Moro se filiou ao PL em março e foi eleito governador no primeiro turno. O grupo de Ratinho optou por lançar o deputado federal Sandro Alex (PSD) ao Palácio Iguaçu e acabou em segundo lugar na corrida.

Há três dias, Ratinho Junior e Sandro Alex publicaram um vídeo em que defendem a candidatura de Flávio.

"O Paraná vai fazer a diferença. Nós vamos aumentar essa votação do Flávio Bolsonaro do primeiro para o segundo turno e vamos compensar inclusive outros estados que porventura não estejam comprometidos com essa mudança para o Brasil", disse o governador, que desde então passou a fazer publicações pró-Flávio em sua rede social com frequência.

No sábado (17), a campanha de Flávio anunciou ainda o apoio do apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, que é pai do governador. Ratinho gravou peças de propaganda com Flávio em que aponta o que seriam "fake news" produzidas pela campanha do adversário.

A disputa no Paraná foi acirrada, com ataques do grupo de Ratinho Junior a Sergio Moro, mas ambos tentaram ao longo da campanha demonstrar proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após tentar um golpe. No segundo turno das eleições de 2022, Bolsonaro fez no Paraná mais de 60% dos votos contra Lula (PT), hoje candidato à reeleição.

O próprio Ratinho Junior chegou a se apresentar como um dos nomes do PSD dispostos a concorrer ao Planalto, mas acabou desistindo. Segundo aliados, um dos motivos era a dificuldade para construir uma terceira via.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que ao final concorreu pelo PSD, acabou em quinto lugar nas urnas, com 2,18% dos votos, e agora também declara apoio a Flávio Bolsonaro.

Moro e os outros dois governadores eleitos no Sul em 4 de outubro, Jorginho Mello (Santa Catarina) e Luciano Zucco (Rio Grande do Sul), todos filiados ao PL, têm reforçado a campanha de Flávio desde o resultado do primeiro turno.

O trio já fez comícios e carreatas em Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. Moro também acompanhou Flávio Bolsonaro no debate da TV Band neste domingo (18).

Greca declara voto em Lula

Já o ex-ministro e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), que foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex (PSD), declarou que irá votar no presidente Lula na noite desta segunda-feira (19), durante um encontro para a formalização da Associação dos Acordionistas do Paraná.

Greca foi chamado a discursar durante o evento e foi filmado falando sobre o assunto. "Pensem qual ideologia vale o direito de calar o Brasil, e calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos, aos que querem as nossas terras raras, aos que querem lucrar com isso e ensilhar o Brasil numa triste e desgraçada sina que será a de permanecer um império sub-reptício sul-americano", disse ele, em um vídeo que circulou nas redes sociais.

O ex-prefeito também disse que Lula "pelo menos tem a reta intenção de servir aos pobres e de manter a Lei Rouanet".

"Eles não querem a música. Eles não querem o financiamento da cultura. Eles não querem museus. Eles não querem universidades. Eles não querem escolas públicas. O que é que eles querem? Eles querem acumular tesouros que a traça corrói e que o verme devora", continuou ele, em referência à candidatura do PL.

Procurado pela Folha de S.Paulo nesta terça, Greca disse que não comentaria.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que nesta terça fez ato de campanha em Curitiba, disse que "fiquei feliz de saber que Rafael Greca declarou apoio", sendo aplaudido no local. "Vamos unir os democratas. Não é possível ter presidente da República alguém cujo ídolo é o Coronel Ustra", discursou Alckmin.

Apesar da declaração de voto, Greca não deve fazer campanha aberta a favor do candidato do PT e representa hoje um grupo minoritário dentro do MDB. O presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, já declarou apoio a Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.

Ao longo do seu último mandato como prefeito de Curitiba, encerrado em janeiro de 2025, Greca estava no PSD de Ratinho Junior, mas foi crítico na época da pandemia da Covid-19 à postura do então presidente Jair Bolsonaro, que rejeitava a vacinação e estimulava o uso de remédios ineficazes contra a doença, como a cloroquina.

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