ENTREVISTA

Flávio nega Eduardo chanceler e desconversa sobre nomear Jair

Por Ana Luiza Albuquerque e Bruno Ribeiro | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Manoella Mello/TV Globo
Flávio Bolsonaro (PL) foi entrevistado por Renata Lo Prete
Flávio Bolsonaro (PL) foi entrevistado por Renata Lo Prete

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, disse nesta sexta-feira (16) em sabatina na Globo que "não está no radar" um cargo para seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e que seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL) não será chanceler caso ele seja eleito presidente.

"O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo", disse em relação ao pai, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA e tem atuado junto ao governo Donald Trump para sanções contra magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal), tem sido cogitado por aliados da família como um futuro ministro de eventual governo Flávio. O candidato do PL disse, porém, que ele não será chanceler.

Em relação ao fim da escala 6x1, após ter chamado a medida de oportunista e eleitoreira, Flávio disse que mudou de posição porque ouviu trabalhadores nas ruas.

"Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem inclusive montar a sua própria jornada de trabalho", disse o candidato na sabatina, realizada logo depois do Jornal Nacional. "Eu sempre citava o exemplo daquela mãe solo, que sustenta o seu filho sozinho, que às vezes não tem com quem deixar a sua criança e com essa escala seis por um engessada, ela não consegue um emprego."

"Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores. Eu votei conforme o que eu vi nas ruas. Como eu vi a grande maioria dos trabalhadores estavam favoráveis ao fim da escala 6x1 resolvi, seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros", afirmou.

Flávio prometeu que o ajuste fiscal ventilado por sua campanha, se eleito, não implicará perdas para o salário mínimo, para as aposentadorias e nem para os gastos mínimos previstos com saúde e educação.

A campanha de seu adversário, o presidente Lula (PT), tem apostado na acusação de que a contenção das despesas proposta pela campanha do candidato do PL, estimada em R$ 250 bilhões, representará o fim de garantias e benefícios sociais.

"Tem circulado muitas fake news. Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo dizendo que acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras", disse Flávio. "O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula."

Sobre a ligação de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com o caso Master, Flávio atacou Alexandre de Moraes, mas, questionado sobre Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro para a corte, disse que a lei também vale para ele.

Na sabatina, Flávio comparou o repasse de recursos para o filme com o patrocínio de Vorcaro ao programa de Luciano Huck na Globo. "O que tem de errado com isso? Nada."

Na sequência, mencionou a demissão do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da Globo, Frederic Kachar, que ocorreu na quinta (15) após o vazamento de conversas com Vorcaro, e afirmou que o executivo "feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências".

A jornalista Renata Lo Prete disse que a compra de patrocínio na emissora obedece a regras de transparência e "não é igual a financiamento de filme"

Antes da entrevista, houve panelaço contra Flávio Bolsonaro em diversas regiões de São Paulo, no Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Brasília.

Na quinta-feira (15), Lula já havia sido sabatinado pela emissora -ele defendeu reduzir a maioridade penal no caso de crimes hediondos, disse desconhecer que o Bolsa Família não havia sido reajustado e assumiu a responsabilidade pela avaliação ruim de seu governo.

Pesquisa Datafolha desta quinta mostrou empate técnico entre os candidatos, com 51% das intenções de votos válidos para Flávio, ante 49% de Lula.

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