A produção de morango em Jundiaí e região enfrenta dificuldades em 2026 após o excesso de chuvas prejudicar a colheita e reduzir o aproveitamento dos frutos. Enquanto agricultores de Atibaia e Jarinu relatam o encerramento antecipado da safra, produtores de Jundiaí tentam recuperar a produtividade após as perdas. Em uma propriedade do município, a colheita estimada em 15 toneladas representa uma queda de 65% em relação às 43 toneladas de 2024, embora supere o resultado do ano passado.
Segundo o Departamento de Agronegócio, o município registrou produção aproximada de 15 toneladas de morango em 2025. Em 2026, o volume já ultrapassou 20 toneladas, antes mesmo do encerramento do ano. Atualmente, cinco produtores cultivam a fruta em escala comercial. De acordo com a administração municipal, o aumento está relacionado principalmente à ampliação do plantio por agricultores que já atuavam na atividade, e não à entrada de novos produtores.
A produção de morango integra a atividade agrícola do Circuito das Frutas e abastece propriedades rurais e o comércio regional. Parte da fruta vendida em barracas de rua e estabelecimentos comerciais também vem de municípios vizinhos, especialmente Atibaia e Jarinu, reconhecidos pela produção de morangos.
Em Jundiaí, um dos exemplos é o Sítio Fragole, no bairro Bom Jardim. O proprietário, Ricardo Paulino de Oliveira, que administra a propriedade com a família, estima colher cerca de 15 toneladas de morango em 2026. A área tem aproximadamente 40 mil pés da fruta, cultivados em sistema protegido. Em 2024, a mesma área produziu 43 toneladas. No ano seguinte, a colheita caiu para cerca de 8 toneladas. “Por incrível que pareça, para mim aqui, este ano está melhor que 2025. Porém, ainda está abaixo da média. 2025 foi muito ruim e este ano só foi ruim”, afirma Ricardo.

Segundo o produtor, o início do plantio ocorreu dentro do esperado, mas o excesso de chuva comprometeu a produção durante a fase de colheita. “Muita chuva causa muita doença, muita podridão dos frutos. A produção foi baixíssima. Em 2024, nessa mesma área, eu colhi 43 toneladas, só para você ter uma ideia”, compara o produtor, que trabalha com morangos desde 1977. Para ele, cada temporada apresenta desafios diferentes, e o resultado depende tanto das condições climáticas quanto do manejo da plantação.
Municípios de referência
Nos municípios de Atibaia e Jarinu, a chuva também prejudicou a produção durante o período mais intenso da colheita. Osvaldo Maziero, presidente da Associação dos Produtores de Morango e Hortifruti de Atibaia, Jarinu e Região, afirma que o início da temporada ocorreu dentro da normalidade, mas as condições climáticas mudaram ao longo do ciclo. “Este ano, a safra veio bem em um período até normal, e depois terminou mais cedo. Está se encerrando aqui na região devido a muita chuva. As chuvas estragaram bastante, então não foi um ano que a gente pode celebrar”, diz.
Em março de 2026, a Prefeitura de Atibaia distribuiu mais de 430 mil mudas para mais de 40 produtores rurais, por meio de um programa municipal de incentivo ao cultivo. Informações publicadas em 2026 pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, atribuídas à associação regional, apontam cerca de 200 agricultores ligados à atividade em Atibaia, Jarinu e região.

Produção local busca alternativas
Em Jundiaí, o pico da safra ocorre entre julho e setembro, mas as tecnologias de cultivo permitem produzir durante todo o ano. Além das chuvas, os produtores enfrentam altas temperaturas, ventos fortes, estiagem, pragas e doenças. A Prefeitura não dispõe de uma série histórica consolidada da produção nem de dados sobre a comercialização direta da fruta.
No Sítio Fragole, a produção de morango é combinada com turismo rural, colheita pelo próprio consumidor e venda de produtos artesanais. Segundo Ricardo, a comercialização direta aos visitantes ajuda a agregar valor à fruta, enquanto o excedente é destinado a estabelecimentos da região.
Como referência, Ricardo cita preços de R$ 5 a R$ 15 por cumbuca no varejo e de R$ 45 a R$ 65 na venda ligada ao turismo rural. O produtor também relata aumento nos custos de cultivo, principalmente com fertilizantes, defensivos agrícolas e materiais plásticos. Para diversificar a renda, a propriedade investe ainda em amora, framboesa, maçã e cacau.
