A rede de Atenção Primária à Saúde de Campinas realizou 1,55 milhão de atendimentos individuais entre maio e agosto de 2026, crescimento de 4,3% em relação aos 1,48 milhão registrados nos primeiros quatro meses do ano. Os números fazem parte da prestação de contas apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde nesta terça-feira (29), na Câmara.
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O 2º Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA) também aponta queda da mortalidade infantil, crescimento das visitas de agentes comunitários e dos atendimentos odontológicos, além de indicadores de vacinação acima de 93% entre crianças menores de 2 anos. No período acumulado até agosto, Secretaria de Saúde e Rede Mário Gatti contabilizaram juntas R$ 1,499 bilhão em despesas.
Entre os dois quadrimestres, as visitas dos agentes comunitários de saúde passaram de 105.856 para 113.771, alta de 7,5%. Os atendimentos odontológicos subiram de 52.763 para 55.937, enquanto o total de procedimentos da Atenção Primária avançou de 1,805 milhão para 1,842 milhão.
Mortalidade infantil recua
Um dos indicadores destacados na audiência foi a taxa de mortalidade infantil, que passou de 9,64 para 9,03 mortes a cada mil nascidos vivos. O resultado ficou abaixo da meta anual estabelecida em 9,99.
O secretário municipal de Saúde, Lair Zambon, relacionou o resultado a mudanças adotadas pela rede na atenção materno-infantil. Ele ressaltou ainda que o indicador deve ser acompanhado levando em consideração a redução do número de nascimentos registrada no município.
Outros dados dessa linha de cuidado também ficaram dentro das metas apresentadas. 51,59% dos recém-nascidos foram atendidos pela Atenção Primária na primeira semana de vida, diante de uma meta de 35%. A gravidez na adolescência ficou em 6,28%, abaixo do limite de 7%, enquanto 80,65% dos nascidos vivos eram de mães que fizeram sete ou mais consultas de pré-natal.
Vacinação supera 93% em quatro indicadores
Entre crianças menores de 2 anos, a cobertura chegou a 93,06% para a terceira dose da pentavalente, 94,8% para a segunda dose da pneumocócica 10-valente e 93,44% para a terceira dose contra a poliomielite. A primeira dose da tríplice viral apresentou o maior índice, com 95,52%.
Zambon atribuiu os números, entre outros fatores, às ações de busca ativa e à vacinação realizada fora das unidades de saúde, incluindo pontos instalados em centros comerciais.
Na assistência farmacêutica, 92% dos medicamentos padronizados para a Atenção Básica estavam disponíveis, segundo o relatório, acima da meta de 90%.
A Vigilância em Saúde registrou letalidade zero por dengue no período analisado. Também não houve novos casos de Aids em crianças menores de 5 anos. Já o número de indústrias de alimentos regularizadas pela Vigilância Sanitária passou de 46 para 52.
Rede Mário Gatti usa IA e WhatsApp
A prestação de contas também apresentou mudanças tecnológicas na Rede Mário Gatti. Segundo o presidente da autarquia, Sérgio Bisogni, o uso de inteligência artificial permitiu reduzir de 16 para quatro as etapas percorridas pelo paciente entre a retirada da senha e a chegada ao médico no pronto-socorro.
Outro projeto utiliza WhatsApp no atendimento infantil. Bisogni afirmou que foram realizados 7 mil atendimentos em seis meses e que, em 70% dos casos, as crianças não precisaram posteriormente procurar um hospital.
A Rede também informou mudanças no fluxo das cirurgias eletivas. O preparo pré-operatório passa a ser iniciado de acordo com a disponibilidade efetiva na agenda cirúrgica, com apoio do teleatendimento. A intenção é reduzir situações em que exames perdem a validade antes da cirurgia e precisam ser refeitos.
Despesas chegam a R$ 1,49 bilhão
Até o fim do segundo quadrimestre, a Secretaria Municipal de Saúde registrou R$ 978,04 milhões em despesas e a Rede Mário Gatti, R$ 521,43 milhões. Somadas, as duas estruturas alcançaram R$ 1,499 bilhão.
Os recursos municipais responderam por 72,27% do total, enquanto 22,35% vieram do governo federal e 3,41% do Estado. O restante corresponde a emendas e outras fontes.
Segundo a prestação de contas, o investimento do Tesouro Municipal em Saúde chegou a 22,11% no segundo quadrimestre, acima do mínimo de 17% estabelecido para Campinas.