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Emprego bate recorde, mas inadimplência cresce entre famílias

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil
Apesar do avanço do emprego, 15 milhões de pessoas estavam subutilizadas.
Apesar do avanço do emprego, 15 milhões de pessoas estavam subutilizadas.

O mercado de trabalho brasileiro atingiu níveis recordes no trimestre encerrado em agosto, enquanto os indicadores de crédito mostram aumento da inadimplência e do endividamento das famílias. Os dados do IBGE e do Banco Central foram divulgados nesta terça-feira (29).

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Entre junho e agosto, o Brasil tinha 103,5 milhões de pessoas ocupadas, o maior número da série histórica. O contingente cresceu 0,8% em relação ao trimestre encerrado em maio, com 774 mil pessoas a mais, e 1% na comparação com o mesmo período de 2025, com aumento de 1,1 milhão.

A taxa de desocupação caiu para 5,3%, ante 5,6% no trimestre anterior e também 5,6% um ano antes. A população desocupada ficou em 5,8 milhões, redução de 4,6% em três meses, ou 281 mil pessoas, e de 4,9% em um ano, ou 300 mil.

O nível de ocupação chegou a 58,9%, alta de 0,3 ponto percentual no trimestre e estabilidade na comparação anual. A força de trabalho também atingiu o maior patamar da série, com 109,3 milhões de pessoas, aumento de 0,5% no trimestre e de 0,7% em 12 meses.

Apesar do avanço do emprego, 15 milhões de pessoas estavam subutilizadas. A taxa de subutilização ficou em 13,1%, contra 13,3% no trimestre anterior e 14,1% um ano antes. A população subutilizada ficou estável em três meses e caiu 6,5% em 12 meses.

A população subocupada por insuficiência de horas somou 4,3 milhões, estável no trimestre e 6,2% menor em um ano. Já a população fora da força de trabalho ficou em 66,4 milhões, estável em três meses e 0,9% maior que no mesmo período de 2025.

O número de desalentados foi estimado em 2,4 milhões. O resultado ficou estável no trimestre e caiu 11,9% em um ano, uma redução de 317 mil pessoas. O percentual de desalentados passou de 2,4% para 2,1% em 12 meses.

Informalidade ainda atinge 38,8 milhões

O mercado formal também registrou seu maior contingente. O número de empregados do setor privado com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, chegou a 39,5 milhões, estável tanto no trimestre quanto na comparação anual.

Já os empregados sem carteira no setor privado somaram 13,7 milhões. Trabalhadores por conta própria foram 26,1 milhões e trabalhadores domésticos, 5,5 milhões. Os três grupos ficaram estáveis nas duas comparações.

A taxa de informalidade foi de 37,5%, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. No trimestre encerrado em maio, o índice era de 37,3%, com 38,3 milhões de informais. Um ano antes, a taxa era de 38%, com 38,9 milhões.

A ocupação aumentou no trimestre na Indústria Geral, com alta de 2%, ou 265 mil pessoas, e na Construção, com avanço de 4,1%, ou 306 mil trabalhadores. Na comparação anual, Transporte, armazenagem e correio teve crescimento de 6,1%, com 358 mil pessoas a mais. Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.

Renda cresce, mas crédito fica mais caro

O rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 3.777, estável em relação ao trimestre anterior e 3,7% maior que um ano antes.

A soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores chegou a R$ 385,6 bilhões, o maior valor da série histórica. O resultado representa alta de 1,4% em três meses e de 4,8% em um ano.

Em 12 meses, o rendimento aumentou em alguns setores: 4% na indústria, 4,8% no comércio e 4,6% nos serviços domésticos.

Entre os trabalhadores, os maiores aumentos no período foram registrados entre os autônomos, com alta de 5,3%, os trabalhadores domésticos, com 4,6%, e os empregados com carteira assinada, com 2,4%.

Ao mesmo tempo, os dados do Banco Central mostram que o crédito também cresceu. Em agosto, o volume total de crédito para empresas e famílias chegou a R$ 22 trilhões, equivalente a 164,9% do PIB. O valor aumentou 0,6% no mês e 11,3% em um ano.

Para as empresas, o crédito chegou a R$ 7,3 trilhões, alta de 1,1% em agosto e de 8,7% em 12 meses.

O crescimento anual foi puxado principalmente pelo aumento da emissão de títulos de dívida e dos empréstimos bancários.

Inadimplência sobe para 5%

O volume de crédito no Brasil chegou a R$ 7,4 trilhões em agosto, alta de 0,5% em relação a julho. O crescimento foi puxado pelos empréstimos para as famílias, que aumentaram 0,8%, para R$ 4,7 trilhões. Já o crédito para empresas caiu 0,1%, para R$ 2,7 trilhões.

Em um ano, o volume total de crédito cresceu 9,2%. Entre as famílias, a alta foi de 10,5%, enquanto para as empresas ficou em 7,1%.

As concessões de novos empréstimos também aumentaram em agosto, com alta de 1,7%. O crescimento foi de 3,2% para empresas e de 0,7% para pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, os juros continuaram elevados. A taxa média cobrada nos novos empréstimos chegou a 32,3% ao ano. No crédito para famílias, a taxa média das operações com recursos livres subiu para 61,7% ao ano.

A inadimplência também aumentou. Considerando todo o sistema financeiro, chegou a 5% em agosto, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto em 12 meses.

Entre as pessoas físicas, a inadimplência subiu para 6%. Já entre as empresas, ficou em 3,3%.

Nos empréstimos com recursos livres, a inadimplência das famílias chegou a 8%, enquanto entre as empresas ficou em 4,3%.

No crédito direcionado, como financiamentos que seguem regras específicas, a inadimplência das famílias chegou a 3,6%.

Em resumo, os dados mostram que o crédito continua crescendo, principalmente entre as famílias, mas os juros e a inadimplência também estão em alta.

Endividamento das famílias

O endividamento das famílias alcançou 49,9% em julho, aumento de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto em 12 meses. O comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, mas cresceu 1,4 ponto em um ano, para 28,7%.

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