CULINÁRIA

Bolo de laranja

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 3 ovos
  • 1 xícara (chá) de suco natural de laranja
  • ½ xícara (chá) de óleo vegetal
  • 1 ½ xícara de açúcar
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento em pó

Calda

  • 2 colheres (sopa) de açúcar refinado
  • 80 ml de suco de laranja

Não importa a hora. Há um tipo de sol que não habita o céu, mas repousa silencioso sobre a mesa de madeira da cozinha. Ele nasce na quietude das antigas tardes de domingo, quando o tempo esquecia de correr e a casa se vestia de um silêncio morno, quebrado apenas pelo perfume suave do café recém- passado e pelo riso solto que vinha do quintal misturado a atropelos de criança.

O ar se adensava em suspiros dourados assim que o forno aquecia e dele emanavam aromas Era uma alquimia delicada: o cheiro cítrico e doce se alastrava como um abraço antigo, invadindo os corredores, atravessando vidraças, enlaçando roupas estendidas no varal, inscrevendo-se na memória das crianças e dos adultos também.

Fechar os olhos hoje é ver-se como Marcel diante da xícara de chá de tília, a fumaça perfumada a desenhar a memória do colo de mãe, do vapor de afeto que tudo curava, do aconchego onde nada nos faltava. É um perfume que tem cor de mel, textura de veludo e gosto de pertencimento.

Quando o bolo é colocado no centro da mesa, a casca cor de sol poente, onde brilha resíduos de uma calda que umedeceu a massa amarela, desperta os sentidos de imediato. E ao primeiro pedaço, macio como uma nuvem morna, a língua prova a acidez sutil que dança com a doçura reconfortante. Sentir esse gosto é escutar o eco da voz dos nossos, é ver a luz da tarde atravessar a janela e iluminar as migalhas douradas no prato. Na simplicidade de uma fatia de bolo de laranja, o passado e o presente se fundem, e o lar se faz eterno.

Nas dobras dessa receita singela, dorme também a história de um encontro. A fruta perfumada e sumarenta viajou oceanos; trazida pelos navegantes portugueses no século XVI, e encontrou nas terras férteis e sob o sol generoso do Brasil o seu verdadeiro ninho. O solo a acolheu de tal modo que o fruto, vindo de longe, virou a própria essência do nosso chão, transbordando pelos pomares e adoçando os domingos interioranos.

Como fazer

Em primeiro lugar, ligue o forno para que esteja quente a 180 graus quando a massa estiver pronta. Unte a forma onde vai assar o bolo com misturinha de óleo e margarina, desmoldante que funciona sempre. Numa tigela polvilhe a farinha, o açúcar e o fermento e mexa delicadamente. No copo do liquidificador coloque os ovos, o óleo e o suco de laranja espremido na hora. Bata por dois minutos. Verta o creme formado sobre a mistura seca e mexa até ficar bem homogênea. Transfira para a forma e leve ao forno por 40 minutos. Faça o teste do palito para ver se está bem assado. Retire do forno e aguarde dez minutos antes de desenformar. Neste ínterim, misture o suco e o açúcar e mexa energicamente para misturar bem. Derrame metade da calda sobre o bolo e espere que entranhe da massa. Quando isso acontecer, regue com o restante. Espere esfriar e sirva. 

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

Comentários

Comentários