Quatro dos principais corredores viários de Campinas concentram uma parcela significativa das mortes no trânsito da cidade. John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia responderam, juntas, por 17% dos óbitos registrados nas vias urbanas entre 2023 e 2025, segundo o novo Relatório Anual de Sinistralidade da Emdec.
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O levantamento também permite identificar um período especialmente crítico: noites e madrugadas dos fins de semana. Somente em 2025, 41 mortes ocorreram entre 18h e 5h59 aos sábados e domingos, correspondendo a aproximadamente 29% das vítimas fatais do ano.
Quando o mapa e o relógio são cruzados com os fatores associados aos acidentes, aparecem dois elementos recorrentes: velocidade e consumo de álcool.
John Boyd Dunlop no topo
Entre as quatro avenidas destacadas pelo levantamento, a John Boyd Dunlop permanece com a maior participação nas mortes. Sozinha, a via respondeu por 8% dos óbitos registrados nas vias urbanas de Campinas nos últimos três anos.
Apesar de continuar no topo do levantamento, a avenida apresentou uma redução importante. Segundo a Emdec, as mortes na John Boyd Dunlop caíram 69% entre 2021 e 2025. Considerando apenas a comparação entre 2024 e 2025, a queda foi de 43%.
A avenida passou nos últimos anos por intervenções viárias e ampliação da fiscalização, incluindo novos equipamentos de controle eletrônico.
Fim de semana concentra mortes à noite
O horário das ocorrências revela outro padrão importante.
Das mortes registradas em 2025, 41 aconteceram nas noites e madrugadas dos fins de semana, considerando o intervalo entre 18h e 5h59.
O período concentrou 29,1% dos óbitos analisados, indicando maior exposição justamente nas horas tradicionalmente associadas a deslocamentos de lazer, menor movimento nas vias e possibilidade de velocidades mais elevadas.
É também nesse contexto que ganha relevância outro dado do relatório: a presença do álcool entre as ocorrências fatais.
Velocidade aparece em 53 casos; álcool, em 48
A Emdec conseguiu analisar os fatores de risco envolvidos em 139 sinistros.
A velocidade apareceu em 53 deles, ou 38,1%, enquanto o consumo de álcool foi identificado em 48 ocorrências, equivalentes a 34,5%. Em 19 acidentes fatais, os dois fatores apareceram simultaneamente.
Entre os condutores e pedestres mortos que foram submetidos a testes, 42,7% apresentavam presença de álcool no organismo, considerando acidentes em vias urbanas e rodovias.
O relatório também relaciona outros fatores às ocorrências fatais: comportamento do pedestre apareceu em 33 casos, uso de drogas ou medicamentos em 18, falta de habilitação em 17 e desrespeito à sinalização em 12.
Colisões lideram os acidentes fatais nas ruas
Campinas contabilizou 74 sinistros fatais nas vias urbanas em 2025.
As colisões foram o tipo mais frequente, com 29 ocorrências, correspondendo a 39,2% do total. Na sequência aparecem 23 atropelamentos de pedestres e 14 choques contra obstáculos fixos.
Somadas, essas três categorias representam a grande maioria dos acidentes que terminaram em morte nas ruas e avenidas da cidade.
No conjunto de Campinas, incluindo também as rodovias, foram 142 vítimas fatais em 141 sinistros ao longo do ano.
Queda em 2025 não elimina pontos críticos
O número total de mortes caiu 5,3% em 2025, interrompendo uma sequência de alta ou estabilidade observada desde 2020. Ainda assim, o anuário mostra que o risco permanece concentrado em determinados corredores, horários e comportamentos.
Os dados preliminares de 2026 apontam nova redução. Até julho, a Emdec contabilizava 14 mortes a menos nas vias urbanas, uma queda de 35% frente ao mesmo período do ano passado.
O desafio agora é saber se essa redução será mantida justamente nos pontos e horários que o histórico recente identifica como os mais críticos do trânsito de Campinas.