MUITA CHUVA

Chuva de setembro já passa de 4,6 vezes a média em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/PMC
Campinas acumula 287,8 mm em apenas 15 dias, mais de quatro vezes a média de setembro e acima até do volume médio de janeiro.
Campinas acumula 287,8 mm em apenas 15 dias, mais de quatro vezes a média de setembro e acima até do volume médio de janeiro.

Campinas chegou à metade de setembro com um volume de chuva completamente fora do padrão histórico. Em apenas 15 dias, foram registrados 287,8 milímetros, segundo o Cepagri da Unicamp. A média climatológica para todo o mês de setembro é de apenas 62 mm.

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Isso significa que, antes mesmo de setembro chegar à segunda quinzena, a cidade já recebeu mais de 4,6 vezes a quantidade de chuva normalmente esperada para o mês inteiro. O acumulado corresponde a cerca de 464% da média histórica.

A dimensão do volume fica ainda mais evidente quando comparada com janeiro, tradicionalmente o mês mais chuvoso do ano em Campinas. A média histórica de janeiro é de 278 mm — ou seja, os 287,8 mm registrados em apenas metade de setembro já superam até esse patamar.

Recorde anterior ficou muito para trás

Até este ano, um dos maiores volumes registrados em setembro havia ocorrido em 2015, quando Campinas terminou o mês com 148 mm.

Agora, em apenas 15 dias, o acumulado já está próximo do dobro daquela marca. A diferença é de 139,8 mm, o que representa um volume aproximadamente 94% superior ao registrado naquele setembro.

A sucessão de frentes e áreas de instabilidade transformou setembro de 2026 em um mês completamente diferente do padrão normalmente observado nesta época do ano.

Corrente de jato ajuda a explicar sequência de chuvas

A pesquisadora do Cepagri da Unicamp Ana Ávila explica que uma das condições atmosféricas que podem estar favorecendo esse cenário está relacionada à atuação da corrente de jato em altos níveis da atmosfera.

Segundo ela, essa configuração tem ajudado as frentes meteorológicas a avançarem com maior frequência até a região de Campinas, favorecendo a repetição dos episódios de chuva.

Ana ressalta que situações semelhantes podem ocorrer em outros anos, mas chama a atenção para a intensidade observada neste episódio. “Isso está um pouco atípico. Essa configuração está mais forte do que em outros episódios que já observamos”, explicou.

A pesquisadora pondera que não existe uma única causa isolada para explicar todo o volume registrado, mas que a posição e a intensidade dessa corrente atmosférica ajudam a compreender por que tantas frentes conseguiram alcançar a região em sequência.

Setembro ainda tem metade do mês pela frente

O dado de 287,8 mm considera o acumulado registrado até esta terça-feira (15). E setembro ainda está apenas na metade.

Com o solo já bastante encharcado depois de semanas de chuva frequente, os grandes acumulados também elevam a atenção para ocorrências como alagamentos, quedas de árvores, erosões e elevação do nível dos rios.

Campinas, portanto, entra na segunda metade de setembro já com um volume que superou amplamente a climatologia do mês e até a média do período mais chuvoso do ano.

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