OPINIÃO

Ensinamentos dolorosos da pandemia


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Foram anos difíceis. Medo, isolamento, perdas, incertezas e uma enxurrada de informações que mudavam quase diariamente. Em pouco tempo, passamos a discutir vírus, vacinas, máscaras, tratamentos e estatísticas como se todos fôssemos especialistas em epidemiologia, mas enquanto o mundo discutia quem estava certo ou não, milhões de pessoas simplesmente tentavam sobreviver.

Hoje, alguns anos depois, talvez seja hora de fazermos uma pergunta diferente. Não sobre política. Não sobre ideologias. Mas sobre saúde. Como realmente estamos? Convivo com pessoas que nunca mais voltaram a sentir o mesmo corpo de antes.

Cansaço persistente, problemas cardiovasculares, dores musculares, perda de força,  dificuldade de concentração, alterações respiratórias, intestinais, piora da qualidade do sono e uma sensação constante de que algo mudou. 

A Covid longa deixou de ser apenas um relato de pacientes para se tornar uma condição reconhecida pela medicina. Ao mesmo tempo, cresce também a necessidade de compreender melhor pessoas que desenvolveram sintomas após diferentes intervenções médicas. A ciência tem o dever de investigar todas essas situações com seriedade, sem preconceitos e sem transformar dúvidas legítimas em disputas ideológicas.

Talvez uma das maiores lições deixadas pela pandemia seja justamente esta: confiança
 é um patrimônio precioso.

Nos últimos anos, documentos, investigações e audiências públicas em diferentes países reacenderam discussões sobre a condução da pandemia e a comunicação feita por utoridades de saúde. Independentemente das conclusões que cada investigação alcance, ficou evidente que a transparência é indispensável. Quando a população perde a confiança nas instituições, todos saem enfraquecidos.

A ciência não perde força quando revisa hipóteses. Pelo contrário. É justamente essa capacidade de reconhecer incertezas e corrigir caminhos que a torna tão valiosa, mas existe outro aprendizado que considero ainda mais importante.

Durante muito tempo esperamos que alguém resolvesse o problema por nós. Um medicamento. Uma vacina. Uma decisão governamental. Uma nova recomendação.

Esquecemos que existe uma parte da saúde que sempre esteve e continuará estando em nossas mãos. Nenhuma intervenção substitui um organismo saudável.

Sono de qualidade, alimentação adequada, exercício físico bem orientado, controle do estresse, fortalecimento muscular, boa capacidade cardiorrespiratória e relações sociais saudáveis continuam sendo alguns dos pilares mais importantes da nossa imunidade e da nossa capacidade de recuperação.

Não controlamos tudo o que acontece conosco. Mas podemos fortalecer o terreno onde nosso corpo responde às adversidades.Talvez o maior legado da pandemia não devesse ser o medo de um novo vírus. Deveria ser a consciência de que saúde não pode ser construída apenas quando a doença chega. Ela precisa ser cultivada todos os dias.

E, acima de qualquer debate político, econômico ou ideológico, existe algo que jamais deveria mudar: o compromisso de colocar o ser humano no centro das decisões. Infelizmente isso não vem de todos os seres humanos.

Porque, no fim, o objetivo nunca deveria ser apenas viver mais. Deveria ser viver melhor. Muita saúde a todos.

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil 

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