REGIÃO LESTE

Guerra por drogas em São José tem dois mortos e traficante preso

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Local onde foi encontrado o corpo de Miqueias (à esquerda);  Alisson (à direita) foi preso
Local onde foi encontrado o corpo de Miqueias (à esquerda); Alisson (à direita) foi preso

A Delegacia de Homicídios de São José dos Campos concluiu a investigação que esclareceu dois assassinatos registrados com quatro dias de diferença no bairro Jardim Santa Maria, na região leste da cidade.

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Segundo a Polícia Civil, os crimes tiveram como motivação uma disputa interna relacionada ao tráfico de drogas e culminaram na prisão de Alisson Paschoal, de 25 anos, apontado como participante das duas execuções.

De acordo com as investigações, o primeiro homicídio ocorreu em 12 de outubro de 2025, quando João Domingos Quintino Silva foi atraído para uma emboscada e morto a tiros. Quatro dias depois, em 16 de outubro, Miqueias Daniel Santana Serafim, de 28 anos, também foi executado no mesmo bairro.

A apuração da Delegacia de Homicídios revelou que os dois casos estão diretamente ligados.

Emboscada

Segundo o inquérito policial, João Domingos era primo de Alisson e os dois atuavam juntos no tráfico de drogas. A investigação aponta que João havia manifestado o desejo de deixar a atividade criminosa, mas continuava reivindicando parte dos lucros obtidos com a venda de entorpecentes.

Esse desentendimento teria motivado um plano elaborado por Alisson e Miqueias para eliminar João.

A Polícia Civil afirma que Alisson convenceu o primo a sair de casa e o levou de motocicleta até um local previamente combinado. No ponto marcado, Miqueias, que aguardava escondido, efetuou diversos disparos contra João.

Imagens, depoimentos de testemunhas e outras provas reunidas durante a investigação sustentam a versão de que Alisson teve papel decisivo ao atrair a vítima para a emboscada, enquanto Miqueias seria o executor dos disparos.

Posteriormente, um exame de confronto balístico confirmou que a pistola calibre .380 encontrada ao lado do corpo de Miqueias foi a mesma utilizada no assassinato de João.

Segundo homicídio

Após a morte de João, a relação entre Alisson e Miqueias se deteriorou.

Conforme a investigação, Alisson passou a monitorar os passos do comparsa e decidiu eliminá-lo para assumir sozinho o controle da atividade criminosa. Além disso, segundo a Polícia Civil, ele pretendia convencer familiares de que havia vingado a morte do primo, sem que soubessem que também participou da execução de João.

Miqueias foi encontrado morto por volta das 12h33 do dia 16 de outubro de 2025, na rua Santa Maria, no Jardim Santa Maria. A perícia constatou cerca de 30 perfurações provocadas por disparos de arma de fogo no corpo da vítima.

Ao lado do corpo foi localizada uma pistola calibre .380 municiada, posteriormente identificada como a arma utilizada no homicídio de João.

Mensagens de celular

Um dos principais elementos da investigação foi a análise dos celulares apreendidos durante a prisão de Alisson.

Segundo a Polícia Civil, as conversas extraídas dos aparelhos revelaram o envolvimento do investigado tanto com o tráfico de drogas quanto com os dois homicídios.

Nas mensagens, Alisson demonstra preocupação com possíveis imagens do assassinato do primo, afirmando que estaria "lascado" caso existissem registros da execução.

Em outras conversas, ele monitora a rotina de Miqueias, pergunta sobre seus deslocamentos, comenta que o rival estava armado e afirma que só retornaria ao bairro após "resolver o problema".

Pouco depois da morte de Miqueias, uma pessoa informa a Alisson que houve diversos disparos e que a vítima provavelmente estava morta. A resposta registrada na conversa foi: "Deu certo."

Em outra troca de mensagens, Alisson afirma que havia "vingado João", versão que, segundo a investigação, buscava ocultar sua participação na morte do próprio primo.

Os investigadores também localizaram conversas em que o suspeito admite ter atuado no tráfico de drogas ao lado de João e afirma que decidiu "tirá-lo" porque ele "falava demais", além de manifestar o desejo de enriquecer com a venda de entorpecentes.

Prisão preventiva

Alisson foi preso inicialmente durante uma ação policial por tráfico de drogas. No imóvel sob sua responsabilidade foram apreendidos entorpecentes, materiais utilizados para o comércio ilegal e aparelhos celulares.

Durante o andamento das investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva do investigado pelo homicídio de João Domingos. Agora, o juiz da Vara do Júri de São José dos Campos também determinou sua prisão preventiva pela morte de Miqueias.

Ele permanece preso e responde pelos dois homicídios, além do crime de tráfico de drogas. A defesa de Alisson não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.

Histórico criminal

A investigação também aponta que tanto Alisson quanto Miqueias possuíam antecedentes relacionados ao tráfico de drogas.

Miqueias acumulava registros desde a adolescência por atos infracionais e, posteriormente, por tráfico de drogas, associação criminosa e participação no incêndio de um ônibus ocorrido em janeiro de 2024, no Jardim Santa Maria.

Já Alisson possui passagens por tráfico desde quando era adolescente, além de registros por violência doméstica em 2022 e 2024. Conforme a Polícia Civil, as provas reunidas ao longo da investigação demonstram sua atuação contínua no tráfico de drogas e o envolvimento direto nas duas execuções ocorridas em outubro de 2025.

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