Júri absolve PMs por morte de jovem rendido em Paraisópolis
O Conselho de Sentença absolveu nesta quinta-feira (30) os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, 24, em julho do ano passado em um imóvel na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo.
A morte de Santos foi registrada pelas câmeras corporais usadas por policiais militares. O jovem estava desarmado e rendido ao ser baleado.
O júri ocorreu entre a terça-feira (28) e a quinta-feira no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Os policiais militares estão detidos há um ano no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Com a decisão, eles serão soltos.
De acordo com a denúncia, Noguchi, Cruz e outros dois PMs realizavam patrulhamento por Paraisópolis, quando iniciaram a perseguição a suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e que estariam armados.
Durante a perseguição, os suspeitos teriam invadido uma residência situada numa viela sem nome, na altura da rua Rudolf Lotze, onde buscaram se esconder.
Os PMs acessaram o imóvel e passaram a tentar encontrá-los. Os suspeitos foram localizados em um quarto, escondidos atrás de uma cama. O documento afirma que, de imediato, os policiais militares determinaram que os suspeitos colocassem as mãos na cabeça, o que foi feito.
Mesmo rendidos, Cruz realizou disparos na direção de Santos, que estava com as mãos apoiadas na cabeça. Assim como os outros dois suspeitos no mesmo ambiente. Na sequência, Noguchi atirou com uma espingarda calibre 12 contra Santos.
Para a Promotoria, Cruz e Noguchi agiram por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Outros dois policiais militares também foram denunciados por auxílio moral e material aos dois réus. O processo contra eles foi desmembrado.
Três jovens presos na mesma ação da morte de Santos foram absolvidos da acusação de tráfico pela Justiça.
A morte desencadeou uma onda de revolta na comunidade durante horas após os tiros contra Santos. Moradores atearam fogo em pneus e pedaços de madeira, viraram carros e fecharam algumas ruas do local. O tumulto foi sucedido de nova operação em que mais um homem foi morto e um agente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite da PM) ficou ferido.
No dia seguinte ao fato, o então chefe da comunicação da Polícia Militar de São Paulo, coronel Emerson Massera, afirmou que mortes de vítimas desarmadas e rendidas por policiais não ocorrem por falta de treinamento. Ele disse que PMs têm consciência de que mortes nessas circunstâncias são ilegais.
Massera comentava a prisão em flagrante dos dois policiais pela morte de Igor.
"Os policiais que cometeram erros sabiam que estavam cometendo erros e optaram por isso", disse o coronel, ressaltando que os militares recebem treinamento não apenas na academia de polícia mas ao longo de toda a carreira. "A falta de treinamento não pode ser alegada para o cometimento de algumas ações que são dolosas [com intenção]."