PALAVRA DE CANDIDATO

'Faccionado só fala com Deus porque não tem visita íntima'

Por Ana Luiza Albuquerque | da Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/@ronaldocaiado/Instagram
Caiado fez menções a endurecer o combate à criminalidade, afirmando que irá tirar o Brasil das mãos do narcotráfico e do PT.
Caiado fez menções a endurecer o combate à criminalidade, afirmando que irá tirar o Brasil das mãos do narcotráfico e do PT.

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou neste domingo (26) que "bandido não se cria" no estado. Durante convenção do PSD em São Paulo, ele declarou que em Goiás "não tem MC Poze dando tiro de fuzil" nem "aqueles Oruam da vida".

Caiado reforçou a estratégia de se projetar como a terceira via nas eleições de outubro, durante convenção do PSD neste domingo (26) que confirmou a decisão de lançá-lo à Presidência.

Ao lado do vice na chapa e presidente do PSD, Gilberto Kassab, Caiado fez um pronunciamento à imprensa antes do início do evento, que ocorreu na sede do partido, no centro de São Paulo. Afirmou que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto, apostam em agressões "de todo o nível" para desviar o foco dos verdadeiros problemas do país.

"O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos EUA. Do outro lado, as mesmas agressões acontecendo, insultando autoridades", disse.

O presidenciável se referiu à eleição de outubro como "a mais importante da historia desse país". "É um momento de grandes desafios, onde a população já não acredita mais nas instituições, as pessoas hoje [estão] desencantadas com brigas que são montadas a cada dia."

Caiado fez menções a endurecer o combate à criminalidade, afirmando que irá tirar o Brasil das mãos do narcotráfico e do PT, que, segundo ele, é complacente com o crime. Também fez acenos às mulheres, dizendo que irá confiscar o patrimônio de agressores de mulheres e entregar a elas os recursos financeiros.

Perguntado sobre Flávio Bolsonaro, respondeu: "Quem rouba com a mão direita, quem rouba com a mão esquerda, é ladrão".

Caiado afirmou ainda que o candidato à Presidência não pode ser "Kinder Ovo", com "surpresinha todo dia". Disse que é preciso haver um candidato "que nunca se envolveu em rachadinha, em mensalão, em petrolão, em escândalo do Master".

Ele se recusou a dizer quem apoiaria entre Lula e Flávio num eventual segundo turno, afirmando que ele próprio estará na segunda fase da disputa.

Estavam presentes no pronunciamento os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que foram cotados para concorrer à Presidência pelo partido.

Leite prometeu oferecer um palanque sólido para Caiado no Rio Grande do Sul. "Acreditamos na convergência entre os diferentes, não precisamos pensar igual em todos os assuntos." Já Ratinho afirmou que Caiado "vai colocar o Brasil no rumo certo".

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cuja reeleição é apoiada pelo PSD, não compareceu. Ele enviou em seu lugar o secretário de Governo, Roberto Carneiro (Republicanos).

Segundo interlocutores do governador, sua presença não seria adequada devido a seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Também incomodou uma publicação feita por Kassab nas redes sociais para anunciar a convenção estadual, colocando uma imagem de Tarcísio ao lado da de Caiado.

Estavam no palco da convenção a apresentadora Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos que será candidata a deputada federal por São Paulo, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e o ex-ministro Aldo Rebelo, que tentou sair candidato à Presidência pelo DC (Democracia Cristã).

Em discurso a apoiadores, Caiado afirmou que "não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional". "A eleição não é de rejeitados, é eleição de quem traz resultado para a sociedade brasileira", disse o ex-governador, que usou sua administração em Goiás para argumentar que é capacitado para liderar o país.

O presidenciável afirmou, também, que o povo não acredita mais nos três Poderes porque não tem um bom exemplo na Presidência.

Ele fez menções negativas a Lula e Flávio, sugerindo que "um se retroalimenta na vaidade do outro".

Disse que o país está endividado e que as pessoas são induzidas a tomar dinheiro emprestado, criticando o Desenrola, programa do governo federal para a renegociação de dívidas. "O agiota do Lula cobra taxa de 14% do cidadão brasileiro", afirmou Caiado, em referência à taxa de juros.

O ex-governador disse, também, que Lula está fugindo do primeiro debate entre os candidatos à Presidência, previsto para o dia 16 de agosto, porque "amarelou". "Estou te esperando, Lula, vem cá. (...) Ele sabe que está com o rabo preso na criminalidade. (...) Só faz reunião dentro de recinto fechado", afirmou.

Para Caiado, Flávio é o candidato escolhido por Lula para disputar o segundo turno. "Nós vamos cometer o erro de entregar para o PT o candidato que ele quer?", questionou.

O presidenciável disse, ainda, que, não fosse a "coragem" de Kassab de lançá-lo ao cargo, os únicos candidatos seriam Lula e Flávio. "O Kassab colocou água no chopp."

Caiado também fez menções ao conflito entre o petista e o presidente americano, Donald Trump, à revelação de que os Estados Unidos planejavam mandar oficiais para descredibilizar o processo eleitoral brasileiro e à participação do presidente argentino Javier Milei na convenção que confirmou a candidatura de Flávio, no sábado (25).

"O Lula insultando a dentadura do Trump. O outro achando que pode intervir [na eleição]. O outro vindo do país vizinho para fazer apenas bravata", disse. "Quem resolve problema do Brasil... Nós não somos [sic] homem frouxo, não."

Caiado explorou ainda o tema da segurança pública e se colocou como aquele que irá combater os bandidos, e afirmou que em Goiás o "faccionado só fala com Deus porque não tem visita íntima". "Bota Caiado na Presidência, vai ver se bandido vai ter um palmo de terra nesse Brasil afora."

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