AMEAÇA

Engenheiro é ameaçado de morte em disputa judicial em Franca

da Redação
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Reprodução
Pints das mensagens com a ameaça
Pints das mensagens com a ameaça

O engenheiro Edson Francisco do Couto Rosa registrou boletim de ocorrência no último dia 6 de julho após receber, no dia anterior, uma mensagem de WhatsApp com ameaça de morte. O remetente é um número desconhecido, identificado por foto de perfil de palhaço e pelo nome "bomba a vista".

Na mensagem, o autor o trata pelo apelido e faz ameaça direta à sua vida e ao sofrimento de sua família: "Vc não morreu ainda não... vai deixar sua família sofrendo aqui na minha mão... reflita antes de morrer". O caso foi registrado como ameaça, prevista no art. 147 do Código Penal, com autoria desconhecida. O engenheiro manifestou desejo de representar criminalmente.

Edson Francisco do Couto Rosa é o credor de um cumprimento de sentença que tramita na 5ª Vara Cível do Foro de Franca. É o terceiro boletim de ocorrência ligado a essa mesma disputa em menos de um mês.

A disputa por trás dos registros

A ação, iniciada em 2018, corre contra uma construtora e outros de-vedores e chegou em 2026 à fase de execução forçada, o momento em que o Judiciário retira o bem de quem resiste a entregá-lo. A decisão determinou a imissão de uma empresa na posse de três imóveis situados na Avenida Chico Júlio, que abrigavam um posto de combustíveis desativado, uma barbearia e uma área anexa.

A tentativa de cumprimento, em 15 de junho, não foi concluída. Houve tumulto provocado por um empresário do setor imobiliário que se recusava a acatar a ordem judicial e ameaçou a oficial de justiça e advogados que acompanhavam o ato processual.

A diligência interrompida

Segundo certidão lavrada pela oficial de justiça responsável, o executado no processo, desde a chegada ao local, "causou tumulto com diversas intimidações", dirigidas tanto a ela quanto aos demais presentes, "filmando tudo e todos". No mesmo documento, a oficial descreve o comportamento como o de alguém "absolutamente alterado e com comportamento constante de instabilidade emocional".

Diante do quadro, ela adotou providência incomum: pediu formalmente ao juiz que, em nova diligência, não fosse permitida a presença do executado - que, se necessário, deveria ser representado por preposto - e que o ato fosse cumprido com um segundo oficial de justiça, invocando o art. 1.023, §2º das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça. A diligência foi encerrada às 17h35 sem que a posse fosse transferida.

Os dois boletins anteriores

Os advogados Cairo Fernando de Melo e Maria José Cardoso, que acompanhavam o ato, registraram ocorrência em 17 de junho. Relataram ofensas verbais reiteradas. "Se preparem, vou atrás de todos vocês", teria dito o empresário.

Segundo o registro, o empresário passou em seguida a filmar os presentes e a placa do veículo em que os profissionais haviam chegado. O relato ganha peso por um detalhe: dois policiais militares que davam apoio à diligência presenciaram a cena e orientaram as vítimas a formalizar a ocorrência.

No dia seguinte, R.C.R, parente do credor e que acompanhava a diligência, registrou o terceiro boletim, descrevendo conduta semelhante. 

De acordo com o relato, o empresário executado se aproximava dos presentes quando estava afastado da oficial e dos policiais e, em voz baixa, teria feito ameaças. "Vocês estão me roubando esse imóvel. Em breve vão ter o que merecem". Teria dito que separara dinheiro para financiar agressão aos vitoriosos na Justiça. "Mandei sacar R$ 300.000,00 para dar um corretivo em todos vocês". R.C.R afirmou que as filmagens eram ostensivas, mas as frases só vinham quando o autor julgava não estar sendo gravado.

O incêndio ao escritório

A Polícia Civil apura se os episódios têm relação com o ataque incendiário que atingiu a fachada do escritório MVB Advogados, no Jardim Piratininga, em Franca, na madrugada de 1º de junho de 2026. O ataque ocorreu por volta de 1h28 e foi registrado pelas câmeras de segurança do local. O escritório representava o credor no processo.

À época, o delegado responsável informou que havia suspeitos identificados, ainda não divulgados, e que uma das hipóteses examinadas era a de que o ataque estivesse ligado a ameaças decorrentes de ação judicial patrocinada pelo escritório.
 
Há um elemento que aproxima os dois casos. Segundo apurado, advogados do MVB também foram alvo de ameaça partida do número identificado com o perfil de palhaço, em tom semelhante e em datas próximas. 

A coincidência do instrumento (idêntico número, idêntico perfil) é um dos pontos que a investigação examina para verificar se as ameaças, o ataque incendiário e a disputa judicial integram uma mesma linha de eventos.

A Polícia Civil segue investigando o caso.

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