POLÍTICA

Ex-presidenciável, Soraya anuncia pré-candidatura ao Senado

Por Catarina Scortecci | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Lula e Soraya Thronicke (PSB-MS)
Lula e Soraya Thronicke (PSB-MS)

A ex-presidenciável e senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) confirmou nesta sexta-feira (17) que é pré-candidata à reeleição no pleito de outubro em uma aliança com o PT do presidente Lula. Em uma rede social, Thronicke publicou uma foto em que ela está ao lado do petista e acrescentou a seguinte mensagem: "Se sou pré-candidata à reeleição? Nunca deixei de ser!".

A publicação foi feita após especulações de que a senadora poderia abrir mão da tentativa de reeleição para integrar uma chapa com o deputado federal Vander Loubet (PT-MS). Na virtual composição, Loubet seria o candidato a senador e ela ficaria como primeira suplente dele.

Thronicke se filiou ao PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin em abril e desde então tem se aproximado do PT, em uma aliança que chama a atenção. Advogada, ela foi eleita para seu primeiro mandato eletivo em 2018 na onda bolsonarista, filiada ao PSL (que depois se uniu ao Democratas para formar o União Brasil), mesma sigla de Jair Bolsonaro na época.

Em 2021, Thronicke chegou a ser vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional, sob a justificativa de ajudar o então presidente a aprovar "reformas e pautas conservadoras", além de propostas como a flexibilização do porte e posse de armas de fogo.

"As pautas que nos elegeram, o presidente Bolsonaro e eu, são as mesmas e sempre me mantive fiel a elas, pois são demandas da população brasileira", disse a parlamentar na época.

Mas o distanciamento de Thronicke começou ainda naquele ano, em meio à pandemia de Covid-19, quando Bolsonaro atuou para desestimular a vacinação ao mesmo tempo em que defendia remédios ineficazes contra a doença, como a cloroquina.

"É um momento que o Poder Público deve atuar com sabedoria. A vacinação e condições dignas de tratamento continuam sendo as prioridades", disse Thronicke na época, durante uma reunião da CPI da Covid e após se recuperar da doença.

Thronicke migrou para o União Brasil já em 2022, quando disputou as eleições para a Presidência da República. Acabou em quinto lugar no pleito vencido por Lula e alimentou o folclore eleitoral ao promover um duelo durante um debate na TV Globo com o então candidato do PTB, Padre Kelmon, chamado por ela de "padre de festa junina".

Em 2023, ela saiu do União Brasil e foi para o Podemos. Chegou a atuar como presidente estadual da sigla em Mato Grosso do Sul durante as eleições de 2024. Naquele ano, apoiou a candidatura de Beto Pereira, do PSDB, à Prefeitura de Campo Grande, mas ele terminou a corrida em terceiro lugar.

No Senado, ainda filiada ao Podemos, deu prioridade a pautas de combate à violência contra mulher. Também costuma abordar o tema do machismo na política durante suas falas na Casa.

A troca de legenda para o PSB ocorreu em abril. Para críticos das mudanças, Thronicke tem respondido que "recalculou a rota".

"Entrei para a política em 2018 por um Mato Grosso do Sul mais justo e mais próspero. Nessa caminhada, sofri decepções, mas recalculei a rota e hoje estou no PSB, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, um homem honrado e trabalhador", disse ela, em um vídeo para seu eleitorado.

"Se eu mudei? Não, não mudei. Uma sigla ou uma cor diferente não mudaram meus valores e as minhas ideias", continuou a senadora.

Em junho, Thronicke integrou a comitiva do presidente Lula na agenda do petista em Mato Grosso do Sul e posou para fotos ao lado do petista.

Na chapa entre PT e PSB que se desenha para as eleições de outubro em Mato Grosso do Sul, além de Thronicke e Vander como os nomes para o Senado, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) seria o candidato a governador.

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