INSEGURANÇA

Rua onde família ficou refém já foi cenário de diversos crimes

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Henrique Borges
Homem que, segundo a investigação, mantinha família refém sendo preso pelos policiais da DIG de Franca
Homem que, segundo a investigação, mantinha família refém sendo preso pelos policiais da DIG de Franca

A Rua Madre Maria Vilac, no Jardim Aeroporto III, na região Sul de Franca, aparece repetidamente em registros policiais dos últimos seis anos pelo menos. O Portal GCN/Sampi realizou um levantamento entre 2020 e 2026. O endereço foi palco de tentativas de homicídio, assassinatos, apreensões de drogas, receptação de veículos roubados, além de um caso mais recente de sequestro com cárcere privado investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Histórico de violência

O primeiro caso da sequência ocorreu em março de 2020, quando Jhonata Ferreira dos Santos, de 23 anos, foi baleado na rua. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi atingido por disparos na perna e no abdômen após ser perseguido por um homem armado. A mãe da vítima informou à polícia que o filho vinha sendo ameaçado em razão de uma dívida. O caso foi registrado como tentativa de homicídio.

Pouco mais de um ano depois, em outubro de 2021, equipes da Força Tática apreenderam cerca de 18 quilos de maconha e cocaína escondidos em uma casa alugada na mesma via. Um adolescente de 17 anos foi apreendido após confessar que utilizava o imóvel para armazenar os entorpecentes. Também foram localizados munições, um simulacro de arma de fogo e materiais utilizados para embalar drogas.

Em maio de 2023, a violência voltou a chamar atenção. Thales Hudson Inácio de Souza, de 28 anos, foi executado a tiros na esquina das ruas Madre Maria Vilac e Denizar Trevisani. Segundo o registro policial, ele tentou se refugiar dentro de uma mercearia, mas morreu no interior do estabelecimento. A investigação ficou sob responsabilidade da DIG.

Tráfico, receptação e novos ataques

A rua voltou ao noticiário em maio de 2025, quando a Polícia Militar prendeu um homem por receptação e adulteração de veículos. Com auxílio de um drone, policiais localizaram uma Fiat Strada roubada e uma Fiat Fiorino furtada escondidas na garagem da residência do suspeito.

Poucos meses depois, em agosto de 2025, Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos, morreu após permanecer internado por uma semana. Ele havia sido baleado no cruzamento das ruas Madre Maria Vilac e José Pereira Filho. Conforme o registro policial, o autor dos disparos seria um homem que teria tido um breve relacionamento com a irmã da vítima.

Em dezembro do mesmo ano, três pessoas foram baleadas em uma tentativa de homicídio na esquina da Rua Madre Maria Vilac. Testemunhas relataram que um carro preto se aproximou das vítimas e um dos ocupantes efetuou vários disparos antes de fugir.

Operações policiais em 2026

No início de 2026, a rua voltou a ser alvo de operações contra o tráfico.

Em fevereiro, uma equipe da Força Tática apreendeu crack, maconha, dinheiro e celulares após denúncia de comercialização de drogas. Um homem identificado como Rafael foi preso em flagrante.

Já em abril, um casal - uma adolescente de 15 anos e o namorado, de 19 - foi flagrado vendendo drogas no endereço. Segundo a Polícia Militar, o imóvel havia sido alugado exclusivamente para a comercialização dos entorpecentes. Os dois responderam por tráfico.

Sequestro e cárcere privado

O episódio mais grave registrado até o momento ocorreu na última quarta-feira, 7.

Investigadores da DIG resgataram uma idosa, uma adolescente e um recém-nascido que eram mantidos em cárcere privado em uma residência da Rua Madre Maria Vilac. Um suspeito foi preso em flagrante após tentar fugir, destruir o próprio celular e fornecer identidade falsa aos policiais.

Segundo o delegado responsável pela investigação, o sequestro está diretamente relacionado a um homicídio já investigado pela especializada. As vítimas haviam sido levadas da própria residência um dia antes do resgate e permaneciam trancadas no imóvel sob vigilância constante.

As investigações também apontam a existência de uma possível quarta vítima, cujo paradeiro ainda é desconhecido. A Polícia Civil segue realizando diligências para esclarecer toda a dinâmica do caso e identificar outros envolvidos.

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