Lesionado, Raphinha ainda pode jogar pela seleção nesta Copa?
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) confirmou a existência de uma lesão na coxa direita do atacante Raphinha. O camisa 11 da seleção sentiu dores na região ainda no primeiro tempo da vitória por 3 a 0 do Brasil sobre o Haiti, na sexta (19). O atleta precisou deixar a partida e foi substituído por Rayan. A CBF não detalhou a gravidade da lesão sofrida por Raphinha e não ofereceu uma previsão de recuperação e de retorno do atleta.
"É um padrão típico de lesão dos [músculos] isquiotibiais. O jogador sente uma dor súbita na parte de trás da coxa, durante a corrida", explica Adriano Marques de Almeida, médico do grupo de medicina esportiva do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).
O especialista diz que não dá para saber a gravidade da lesão com base apenas nas imagens de televisão, mas não descarta a possibilidade de o atacante voltar a jogar nesta Copa do Mundo.
"Em um cenário otimista, ele pode estar recuperado em 10 a 14 dias", afirma Almeida, que também é presidente da Sbrate (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte).
Em um cenário pessimista de recuperação, o tratamento pode exigir mais de um mês de afastamento dos gramados. Se isso se concretizar, Raphinha não atuaria mais neste Mundial.
Assim, a ausência do jogador do Barcelona no jogo contra a Escócia, na quarta-feira (24), é dada como certa. O técnico Carlo Ancelotti poderá optar, por exemplo, por Rayan ou Endrick no lugar do camisa 11.
A nota da CBF ainda cita a adoção de "protocolo de tratamento intensivo", que visa a recuperação e o retorno do jogador no menor tempo possível.
"Cada vez menos focamos em repouso e mais na recuperação ativa da mobilidade e da força muscular", explica Almeida. "É necessário impedir o agravamento da lesão muscular e promover a cicatrização." Ele também destaca que o protocolo visa diminuir o risco de reincidência.
No caso de Raphinha, já são quatro lesões na parte de trás da coxa em um ano -ele fez 36 jogos pelo Barcelona na última temporada antes de se apresentar à seleção brasileira para a Copa.
"Repetidas lesões no mesmo local podem formar fibroses, que muitas vezes se manifestam como estiramentos que se recuperam mais rápido", diz André Lugnani, médico do esporte e ortopedista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Mesmo assim, o especialista destaca que não dá para fazer afirmações sobre a condição física do atleta sem o devido exame.
Lugnani também afirma que a experiência do atacante de 29 anos pode ter atenuado o quadro ainda no gramado: "O atleta experiente sente o sintoma e muitas vezes sai [do jogo] antes de agravar a lesão".
Raphinha deixou o gramado na Filadélfia (EUA) caminhando na partida contra o Haiti, sem a necessidade de ser carregado.