Google atualiza Maps após exibir alertas falsos da Defesa Civil
O Google atualizou neste sábado (20) informações que indicavam na plataforma Maps potenciais locais de risco, na esteira dos alertas falsos encaminhados pela Defesa Civil. As mensagens de alerta extremo continham a palavra misantropia, que quer dizer ódio ou aversão à espécie humana.
Os comunicados foram enviados entre a noite de sexta (19) e a madrugada deste sábado a milhões de pessoas no país, segundo estimativa do governo federal. Os avisos acabaram incorporados ao Maps por causa dos alertas públicos do Google, que "refletem dados oficiais emitidos diretamente por agências governamentais e autoridades locais, como a Defesa Civil", diz a big tech.
O Google afirma estar ciente da investigação de um possível ataque à plataforma da Defesa Civil e diz que as informações foram atualizadas nas plataformas, mas que a correção pode levar algum tempo para chegar a todos os usuários.
Os alertas foram incorporados no Maps às mesmas regiões em que estavam os celulares que receberam os falsos alertas de "misantropia".
O primeiro teria sido emitido no Paraná. O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, disse na manhã deste sábado que o sistema provavelmente sofreu um ataque hacker.
"Tudo indica ataque de hacker. Lamentavelmente, tem pessoas que se propõem a fazer um desserviço à nação, então nosso sistema foi invadido", disse Wolff a jornalistas.
A plataforma de alertas foi tirada do ar por volta de 1h30. A PF (Polícia Federal) investiga o caso.
O governo não soube dizer se cada alerta foi disparado para um estado diferente. Também não informou para quais estados os alertas foram enviados, nem detalhou o conteúdo das mensagens que chegaram aos celulares.
Wolff afirmou que senhas serão trocadas e que os sistemas estaduais serão reativados quando o governo estiver seguro de que não há risco de emissão de novo alerta falso.
Em nota, a Anatel disse que os alertas encaminhados pelas prestadoras de telecomunicação por meio da tecnologia cell broadcast são originados em plataforma própria da Defesa Civil, cabendo às prestadoras apenas a sua transmissão às áreas geográficas definidas pelas autoridades responsáveis.
"A Defesa Civil está apurando o ocorrido e adotando as providências cabíveis para identificar as circunstâncias do evento. A Agência reforça a relevância do sistema de alertas por cell broadcast, apto a cumprir seu propósito de apoiar as ações de prevenção e resposta a desastres, contribuindo para a proteção da população e a preservação de vidas."
Entenda o sistema
Diferentemente de alertas por mensagem de texto -que enviam um SMS-, o que usa a tecnologia cell broadcast interrompe outras funções dos aparelhos, como reprodução de vídeos e uso de aplicativos, e dispara um alarme sonoro e vibratório para chamar a atenção do usuário.
Todo aparelho celular de determinada região conectado a uma antena de telefonia e recebendo sinal 4G ou 5G vai receber mensagens de alerta. São acionados aparelhos que estejam em área de risco independentemente de o usuário ter cadastrado seu número para receber alertas.
A funcionalidade, denominada Defesa Civil Alerta, complementa as já existentes ferramentas utilizadas para o envio de alertas (SMS, TV por assinatura, WhatsApp, Telegram e Google Public Alerts).
Em São Paulo, a tecnologia foi adotada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) após a chuva de fevereiro de 2023 na região de São Sebastião, que deixou 65 mortos no litoral norte do estado. São Paulo foi um dos primeiros estados a fazer testes com essa ferramenta.
Característica da tecnologia cell broadcast
Não depende de cadastro prévio da população da região afetada; É instantâneo o envio para celulares que estiverem, naquele momento, sob alcance das antenas de telefonia 4G ou 5G da região em risco (geolocalização); O alarme produz um aviso sonoro e uma vibração mesmo quando o aparelho está em modo silencioso; A mensagem enviada aparece na tela do celular como um pop-up, independentemente do conteúdo que estiver em uso; O pop-up só desaparece quando o usuário o fechar; caso contrário, continua com o aviso sonoro e a vibração