POLÍTICA

Kassab assegura candidatura de Caiado e prega fim de emendas

Por José Henrique Mariante | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Gilberto Kassab, presidente do PSD e condutor principal de uma tentativa de terceira via nas próximas eleições presidenciais, defendeu o voto distrital misto, a transparência em todas as esferas de governo e uma reforma no sistema de emendas parlamentares durante palestra no Fórum de Lisboa, nesta segunda-feira (1°).

Em um painel sobre pacto federativo, Kassab destoou dos outros integrantes da mesa pela assertividade. "Acho que está ficando muito caro para o Brasil a ausência dessa discussão", disse o "gênio da política", uma das tantas descrições laudatórias que recebeu dos colegas de sessão.

Horas antes, ao chegar cedo para a abertura do evento, capitaneado pelo decano do STF, Gilmar Mendes, há 14 anos na capital portuguesa, Kassab ainda vestia o figurino de articulador da alternativa às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

"Posso afirmar a vocês que haverá um projeto partidário cada vez mais vigoroso que vai procurar levar Ronaldo Caiado a ser presidente da República", declarou Kassab ao ser indagado sobre o movimento interno do partido para transformá-lo em candidato a vice, deflagrado no fim de semana.

"Volto a dizer que, para um presidente de partido, ser lembrado no momento de escolha de candidatos para cargo majoritário, é uma honra muito grande. Mas é na hora certa que nós vamos escolher", declarou, repetindo o teor de manifestação anterior sobre o assunto em rede social.

Integrantes do PSD tentam barrar a movimentação por uma aliança que teria Romeu Zema (Novo) como cabeça de chapa. "A prioridade é fortalecer a candidatura de Ronaldo Caiado", afirmou, repetindo o nome completo de seu candidato.

Indagado se as pontes com Lula e o PT continuavam de pé, a despeito da candidatura própria, Kassab afirmou que sua ponte "é com eleitor, e essa ponte leva a um único caminho, que é a candidatura de Ronaldo Caiado".

Na hora de comentar sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro após a revelação do caso Dark Horse, o presidente do PSD preferiu ser mais evasivo. "É muito difícil falar sobre outros candidatos, né? Eu sempre tomo muito cuidado. Nós temos um processo eleitoral."

No palco do auditório da reitoria da Universidade de Lisboa, no entanto, Kassab foi enfático em relação à receita que restabeleceria, em sua opinião, o pacto federativo no país. Além do voto distrital misto, que aprendeu com Delfim Netto, "meu conselheiro nessa questão", Kassab defendeu a transparência das ações de todas as esferas de governo." Se a gente puder colocar à disposição da sociedade brasileira todos os Poderes, todas as nossas ações com transparência online, nós vamos ter um país mais calmo. As pessoas vão entender melhor o que acontece, quais são os debates, quais são as razões. Vão se sentir mais bem acolhidas em suas representações", disse o ex-prefeito de São Paulo.

Kassab foi também o primeiro e até único convidado no primeiro dia do fórum a falar sobre crise do Judiciário. Para refutá-la. Declarou, no entanto, ser favorável não um mandato para os juízes, mas a uma idade mínima para a seleção de servidores. "É um mandato, mas é um mandato que começa mais tarde e, com isso, fica muito mais solúvel a relação com a sociedade", declarou.

Citou, finalmente, seu terceiro pilar para uma reforma institucional no país, uma revisão do funcionamento das emendas parlamentares. "Do jeito que está, não dá", declarou, usando como exemplo São Paulo, que recebeu o valor de R$ 60 bilhões, ou algo como "duas linhas de metrô por ano", em projetos sem coordenação federal.

Participante do mesmo painel, a ex-senadora Kátia Abreu também pregou que uma mudança no sistema de emendas era necessária. Ponderou, contudo, que a polarização do país tornou o Brasil um país "irreformável".

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