Mensagens, áudios e documentos obtidos pelo site Intercept Brasil apontam que o senador Flávio Bolsonaro negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Segundo a reportagem, ao menos US$ 10,6 milhões, equivalente a cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações ligadas ao projeto cinematográfico. O material inclui cronogramas de pagamento, comprovantes bancários e conversas entre os envolvidos.
Em uma das mensagens reveladas, enviada em novembro de 2025, Flávio escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
O conteúdo divulgado também mostra cobranças sobre parcelas atrasadas da produção. Em áudio enviado ao empresário, Flávio afirma que a equipe enfrentava dificuldades financeiras e menciona preocupação com pagamentos ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras renomadíssimos lá no cinema americano”, disse o senador no áudio.
De acordo com o Intercept, o projeto também teve participação do deputado federal Mario Frias e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As mensagens indicam ainda que parte das transferências passou por empresas ligadas ao grupo de Vorcaro e por um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 enquanto tentava embarcar para Dubai. No dia seguinte, o Banco Master entrou em liquidação pelo Banco Central.
Questionado pelo Intercept sobre os repasses, Flávio negou as informações e afirmou: “É mentira”. A defesa de Vorcaro e outros citados também foi procurada pela reportagem.