A liberdade de imprensa no mundo caiu ao pior nível em 25 anos, segundo o novo índice da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O levantamento mostra que mais da metade dos países apresenta cenário classificado como “difícil” ou “muito grave” para o exercício do jornalismo.
No continente americano, o Brasil aparece com melhora recente e ocupa a 52ª posição no ranking, em meio a um cenário regional marcado por violência e pressão política contra profissionais da imprensa. O relatório aponta que, apesar do avanço brasileiro, a região enfrenta deterioração impulsionada principalmente pelo crime organizado e por ações de autoridades.
O estudo destaca que cerca de 52% dos países têm níveis críticos de liberdade de imprensa, um aumento significativo em relação a 2002. E menos de 1% da população mundial vive em locais considerados plenamente livres para o jornalismo.
Entre os fatores que mais impactaram o resultado está o avanço de leis restritivas, especialmente ligadas à segurança nacional. O indicador jurídico foi o que mais piorou no último ano, com queda em mais de 60% dos países avaliados. Segundo a RSF, cresce a criminalização da atividade jornalística, com uso de legislações para limitar reportagens e punir profissionais.
Na América Latina, países como Equador e Peru registraram quedas acentuadas, associadas a assassinatos de jornalistas. Já nos Estados Unidos, o país perdeu sete posições, reflexo de tensões políticas e medidas que afetaram veículos de comunicação.
O relatório também aponta que, em mais de 80% dos países, os mecanismos de proteção a jornalistas são considerados inexistentes ou ineficazes. Além disso, processos judiciais abusivos e pressões econômicas seguem como obstáculos ao trabalho da imprensa.
No topo do ranking, a Noruega mantém a primeira colocação pelo décimo ano consecutivo. Na outra ponta, a Eritreia permanece como o pior país para o exercício do jornalismo.
Com informações do RSF.