Completar álbum da Copa pode custar R$ 7.363; saiba economizar
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O preço total para completar o novo álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 varia de R$ 1.004,90 a R$ 7.362,90, dependendo da estratégia que o colecionador adotar. O livro ilustrado já está em pré-venda com dois valores:
- Versão capa dura: R$ 74,90;
- Versão brochura (com capa mole): R$ 24,90.
O envelope com sete figurinhas custa R$ 7. Na pré-venda, a Panini não oferece a opção de comprar cards avulsos. Há apenas a opção de adquirir 12 pacotes por R$ 87.
Professor da FGV EMAp (Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas), Moacyr Silva explicou três possibilidades para completar o álbum. A primeira é considerando o comprador que adquire todas as figurinhas sem nenhuma repetição. A segunda é com o colecionador comprando pacotinhos e tirando figurinhas repetidas, mas não fazendo trocas com ninguém. A terceira é realizando trocas de figurinhas repetidas.
No primeiro cenário, como cada figurinha custa R$ 1 e são necessárias 980, então o gasto com cards é de R$ 980.
Na situação em que o consumidor adquire todas as figurinhas sem repetição, o gasto total seria de R$ 1.004,90 (R$ 980 de figurinhas mais R$ 24,90 do álbum). Esse é o valor mínimo para completar a coleção, em um cenário bastante improvável.
Na Copa do Mundo do Qatar, em 2022, era preciso investir pelo menos R$ 548 (R$ 664,47 em valor corrigido pela inflação). O álbum de brochura, o mais simples, custava R$ 12, e cada figurinha saia por R$ 0,80 (R$ 14,57 e R$ 0,97 corrigidos). Eram necessárias 670 figurinhas.
No entanto, de 2022 para 2026 o álbum sofreu uma alteração que colaborou para que o preço ficasse maior. Em 2022, havia 32 seleções participantes na Copa do Mundo do Qatar; em 2026, a edição terá 48 equipes, ou seja, 16 a mais.
Esse aumento de seleções colaborou para que o álbum em 2026 tivesse 310 figurinhas a mais.
De 2022 para 2026, completar o álbum ficou 51% mais caro, já considerada a inflação, considerando apenas o cenário mais vantajoso.
O matemático avalia que completar o álbum sem cromos repetidos é praticamente impossível, por isso é necessário fazer outros cálculos.
Na segunda situação, é considerado o consumidor que adquire as figurinhas com cromos repetidos, mas que não realiza trocas. Silva explica que, neste caso, é necessário levar em conta uma fórmula de probabilidade que é uma das bases de um conceito matemático chamado de problema do colecionador de cupons.
Silva explica que a fórmula leva em consideração que, quando um comprador adquire um pacote de figurinhas, existem N possibilidades de ele receber uma figurinha repetida. Quanto mais figurinhas são adquiridas, maiores as chances de repetição.
Assim, o matemático diz que é necessário adquirir 7.338 figurinhas, considerando as repetidas, para que o álbum seja completado. Como cada cromo custa R$ 1, o valor total a ser desembolsado nesse caso é de R$ 7.362,90 (R$ 7.338 em cromos somado aos R$ 24,90 do álbum).
O preço, no entanto, é menor quando a prática da troca de figurinhas entra em cena.
O especialista explica que, para calcular esse cenário, além da variável N, que considera a quantidade de figurinhas repetidas, há outra variável, chamada M, que representa a quantidade de pessoas envolvidas nas trocas.
Com esses dois fatores, quando apenas duas pessoas estão trocando figurinhas, o valor economizado é de R$ 2.724. Neste caso, o valor total desembolsado para completar o álbum é de R$ 4.638,90 (R$ 4.614 mais os R$ 24,90 do álbum).
A economia é ainda maior quando mais pessoas entram na equação da troca de figurinhas. Por exemplo, quando são levadas em consideração três pessoas trocando figurinhas, o valor total é de R$ 3.730,90 (R$ 3.706 mais R$ 24,90 do livro). A economia, neste caso, chega a R$ 3.632.
Com dez pessoas realizando a troca, o valor para completar é de R$ 2.459,90 (R$ 2.435 mais R$ 24,90). A economia nesse caso é de R$ 4.903.
O especialista explica que não há segredo para preencher o álbum com um preço menor. "A diferença de preço entre os colecionadores que trocam figurinhas e os que não trocam é muito grande. Portanto, o consumidor deve trocar a maior quantidade de figurinhas possível com a maior quantidade de pessoas para que o álbum completo seja mais acessível", diz o matemático.
Completar álbum custa ao menos 62% do salário mínimo
Um levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, também dá uma dimensão do impacto no bolso do colecionador.
A análise destaca que, em 2026, o valor a ser gasto para comprar o álbum sem repetições (R$ 1.004,90), em um cenário perfeito, equivale a 62% (mais da metade) de um salário mínimo (R$ 1.621).
É um percentual de comprometimento de renda maior do que o registrado em Copas anteriores, quando o número de seleções era menor, o que resultava em menos figurinhas.
Em 2022, a quantia mínima que precisava ser investida na coleção (R$ 548) correspondia a 45,2% de um salário mínimo (R$ 1.212), considerando os valores da época, sem o ajuste pela inflação. Pelos cálculos de Imaizumi, essa porcentagem era de 36,4% em 1998 e chegou a baixar a 18,5% em 2014.
Para o economista, parte da alta dos preços em 2026 é explicada pelo número maior de seleções. Outra possível razão da carestia, segundo o economista, é a recomposição de margens de lucro dos organizadores do álbum em um período de demanda aquecida.
A editora Panini não respondeu a questionamentos sobre os preços de 2026. A reportagem enviou perguntas para a assessoria da empresa por email e mensagens de WhatsApp na manhã do último dia 13.
E o churrasco em dia de jogo?
Imaizumi ainda levantou informações sobre a inflação de outros itens que podem ter procura aquecida em períodos de Copa, como carnes e bebidas --insumos para os tradicionais churrascos em dias de jogos.
A base desses dados é o IPCA, o índice oficial de preços do Brasil, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o levantamento, as carnes acumularam inflação de 14,4% desde a última Copa, encerrada em dezembro de 2022. É uma alta inferior aos aumentos da cerveja (17,4%), do suco de frutas (19,3%) e do refrigerante e da água mineral (23,4%) para consumo em casa.
As bebidas também subiram em locais como bares e restaurantes. Enquanto a cerveja fora de casa avançou 18,5%, o refri e a água acumularam aumento de 17,4%. São variações próximas ao IPCA como um todo, que teve alta de 16,5% desde o último evento.
O televisor, por outro lado, acumulou deflação (queda) de 11,9% no mesmo período. A redução, conforme Imaizumi, pode estar associada ao que ele chama de "substituição de tecnologias". Ou seja, a entrada no mercado de novos modelos teria forçado uma baixa nos preços de aparelhos mais antigos de TV, indica o economista.