DADOS DO IBGE

1,1 mi forçados a ter relação sexual; meninas são alvo principal

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil
O percentual de meninas que relataram assédio sexual alguma vez na vida chegou a 26,0%.
O percentual de meninas que relataram assédio sexual alguma vez na vida chegou a 26,0%.

A 5ª edição da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou aumento nos casos de violência sexual entre adolescentes no Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram que já foram tocados, manipulados, beijados ou tiveram partes do corpo expostas contra a própria vontade.

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Entre os 1,1 milhão de adolescentes que informaram ter sido forçados a manter relação sexual, a maioria tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência. O percentual de meninas que relataram assédio sexual alguma vez na vida chegou a 26,0%, mais que o dobro do registrado entre os meninos (10,9%).

Na comparação com 2019, houve aumento de 3,8 pontos percentuais no total de adolescentes que já sofreram assédio sexual, com crescimento mais acentuado entre meninas (5,9 p.p.) e estudantes da rede pública (4,2 p.p.). Adolescentes de 16 e 17 anos apresentaram maior frequência de relatos (20,9%) do que aqueles de 13 a 15 anos (17,1%).

A pesquisa ouviu estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, das redes pública (84,3%) e privada (15,7%), em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação.

Os dados também mostram que 27,2% dos estudantes sofreram bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa, percentual superior ao de 2019 (23,0%). Meninas relataram mais vitimização (30,1%), enquanto meninos declararam praticar bullying com maior frequência (16,5%). A prática foi admitida por 13,7% dos estudantes.

O bullying virtual atingiu 12,7% dos adolescentes, o equivalente a cerca de um em cada oito. As meninas (15,2%) e alunos da rede pública (13,4%) apresentaram maior exposição. Já 10,0% admitiram ter praticado cyberbullying, com prevalência maior entre meninos (11,6%).

Em relação à segurança, 12,5% deixaram de ir à escola nos 30 dias anteriores por medo no trajeto. O percentual na rede pública (13,8%) superou o da rede privada (5,4%). O envolvimento em brigas físicas aumentou 0,6 ponto percentual, com maior prevalência entre meninos (15,8%) e alunos da rede pública (11,7%).

A pesquisa apontou ainda queda na satisfação com a imagem corporal ao longo das edições de 2015 (70,2%), 2019 (66,5%) e 2024 (58,0%). Houve redução no consumo de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024. Na saúde mental, quatro dos seis indicadores avaliados apresentaram melhora em relação a 2019. Também ocorreu adiamento da iniciação sexual, que passou de 35,4% em 2019 para 30,4% em 2024, além de redução no uso de preservativos.

Com informações do IBGE.

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