Após ser preso sob suspeita de importunação sexual mediante fraude, o médico João Batista de Resende, de 67 anos, foi solto após passar por audiência de custódia nesta quinta-feira, 19, em Franca.
O caso ganhou novos desdobramentos com o surgimento de outras possíveis vítimas. Diante disso, a delegada responsável pela investigação, Juliana da Silva Paiva, fez um apelo para que mais pessoas procurem a polícia e registrem denúncias.
“É muito importante que, se existem outras vítimas, por favor procurem a DDM, venham até aqui fazer o seu boletim de ocorrência. Eu quero saber se esse autor já cometeu esse fato outras vezes. Não tenham vergonha, não pensem que suas palavras serão desacreditadas.”
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Investigação
Segundo a delegada, o crime investigado é de importunação sexual mediante fraude, quando o suspeito se aproveita de uma situação para enganar a vítima. “Isso porque o médico, utilizando da sua profissão, levou a vítima em erro e aproveitou da situação, praticando a importunação sexual.”
Os fatos chegaram à delegacia poucas horas após o ocorrido.
Como tudo aconteceu
De acordo com o relato, a vítima, de 18 anos, procurou atendimento médico com sintomas de infecção. “Ela estava com uma infecção, provavelmente uma infecção de garganta, e procurou a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Jardim Aeroporto.”
Após a triagem, a paciente foi encaminhada ao médico. “Ela reclamou que estava com febre, mas a triagem não apontou temperatura elevada.”
Segundo a delegada, o comportamento do médico chamou atenção. “Ele decidiu aferir a pressão de um modo um pouco estranho, colocando as mãos entre os seios da vítima. Segundo ela, ele levantou a blusa e colocou as mãos dentro do sutiã.”
A jovem ficou em choque. “A vítima tem 18 anos, ficou assustada, não teve reação no momento, por isso chamou a mãe para buscá-la.”
Reação da família
A mãe da vítima foi até a unidade de saúde após o relato.
Ainda segundo o relato, o médico teria se dirigido a ela de forma inadequada. “O médico saiu e se referiu à mãe com a expressão ‘e aí, morena’.”
A situação gerou revolta. “A partir desse momento, a genitora entrou em vias de fato por conta da revolta, e a Polícia Militar foi acionada.”
Caso pode não ser isolado
Um dos pontos que mais chamou atenção da investigação é a suspeita de outros episódios semelhantes. “A gente conseguiu depreender das oitivas que funcionários da UPA, que não quiseram se identificar, falaram que esse fato é recorrente, utilizando a expressão ‘o doutor fulano ataca novamente’.”
A delegada reforça: “ou seja, sabemos que possivelmente não é o primeiro caso.”
Uma nova suposta vítima já procurou a polícia. “Logo de manhã, nos deparamos com uma vítima de 2019 vindo até a delegacia para trazer outros fatos à tona.”
Depoimento do médico
Durante o interrogatório, o investigado não negou o contato físico. “É muito importante falar que, em momento algum, ele negou ter colocado a mão na vítima. Ele assume que colocou a mão, porém disse que foi entre os seios apenas.”
A justificativa não convenceu. “Questionado sobre medir a temperatura dessa forma, ele gaguejou e não soube explicar. Perguntei se não havia termômetro, e ele respondeu que não pediu outro.”
Juliana completou que o médico não conseguiu responder, se mostrando evasivo.
Além disso, ele admitiu já ter sido investigado anteriormente. “Ele assumiu que já respondeu por processos dessa natureza envolvendo crimes sexuais durante o atendimento, mas que teria sido absolvido.”
Indícios reforçam suspeita
Para a delegada, os elementos são consistentes. “Isso ficou muito claro porque a palavra da vítima foi clara, cristalina. Ela conseguiu explicar com riqueza de detalhes.”
“Os policiais militares também falaram que é algo recorrente. Para mim, está muito claro que o caso ocorreu”, completou.
Detalhes de outro relato
Sobre o caso de 2019, a delegada também trouxe informações iniciais. “Ela relatou que procurou atendimento por dor nas pernas e ele teria passado as mãos de forma desconfortável, olhando para os seios e rindo de maneira inadequada.”
Por que ele foi solto?
A delegada explicou a decisão judicial. “A audiência de custódia serve para verificar a legalidade da prisão, não há aprofundamento nos fatos.”
Segundo ela, o juiz considerou que o investigado não oferece risco imediato. “O juiz disse que sabe que o caso é sério, mas entendeu que ele não oferece risco ao processo, tem residência fixa e não poderia se ausentar da comarca.”
Investigação continua
Mesmo com a soltura, o caso segue em andamento. “O inquérito já está em fase final. Falta apenas análise de imagens e possíveis testemunhas.”
A delegada não descarta nova prisão. “Se surgirem novas vítimas, novos casos, o pedido de prisão preventiva será renovado.”
Gravidade do crime
Apesar de grave, o crime possui características específicas. “A pena não é tão alta quanto a de estupro, é de 2 a 6 anos, pois não envolve violência ou grave ameaça.”
“É um crime com pena considerável e que não permite fiança em sede policial”, completou Juliana.
Próximos passos
A investigação será encaminhada ao Ministério Público.
E a delegada reforça o pedido: “estamos abertos para novas investigações. A DDM de Franca está preparada para atender esse tipo de crime.”