O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quinta-feira (12) que o acordo nuclear articulado pelo Brasil e pela Turquia com o Irã, em 2010, poderia ter evitado o atual conflito no país do Oriente Médio. A declaração foi feita durante o anúncio de medidas para reduzir o impacto da guerra sobre os preços dos combustíveis.
O entendimento negociado no fim do segundo mandato de Lula previa que o Irã entregasse 1.200 kg de urânio com enriquecimento de 3,5% à Turquia, recebendo em troca 120 kg de urânio enriquecido a 20% para uso em reator de pesquisas médicas, com apoio da Rússia e da França. A proposta era inspirada em sugestão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e buscava limitar o estoque iraniano de material nuclear.
O acordo, firmado com participação do então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, foi rejeitado pelos Estados Unidos, que defendiam novas sanções no Conselho de Segurança da ONU. À época, o governo americano era comandado por Barack Obama, com Hillary Clinton como secretária de Estado.
“Lamentavelmente, depois do acordo feito, tanto os países europeus quanto os EUA aumentaram o bloqueio ao Irã porque nós éramos um país considerado do terceiro mundo, e ter feito um acordo que eles não tinham conseguido fazer há 20 anos era descabido”, afirmou Lula.
Em 2015, outro acordo foi firmado entre Irã e potências como Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha. Em 2018, porém, os EUA deixaram o pacto por decisão do então presidente Donald Trump.
“Depois de um tempo foi feito o acordo, pior do que o que nós tínhamos feito, e agora a invasão ao Irã é por conta da possibilidade de construção de armas nucleares, coisa que poderia ter sido feito há muito tempo atrás", criticou Lula.
Com informações do SBT News