COPA BRASIL

Londrina aprova veto a Tifanny, atleta trans, em torneio de vôlei

Por Bruno Lucca | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Tifanny Abreu, mulher trans que atua pelo Osasco Voleibol Clube
Tifanny Abreu, mulher trans que atua pelo Osasco Voleibol Clube

A Câmara Municipal de Londrina, no Paraná, aprovou em regime de urgência um requerimento para proibir a participação de Tifanny Abreu, mulher trans que atua pelo Osasco Voleibol Clube, nas finais da Copa Brasil. A competição começa nesta sexta-feira (27) e tem o ginásio Moringão como sede.

O projeto, apresentado pela vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), foi votado nesta quinta-feira (26). Ele teve 12 votos favoráveis e quatro contrários.

No requerimento, Moreno cita a inscrição de Tifanny, 41, na competição e pede que seja cumprida uma lei municipal de 2024 proibindo a "participação de atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento em equipes e times esportivos e em competições, eventos e disputas de modalidades esportivas" em Londrina.

De sua própria autoria, o texto institui como pena a revogação imediata do alvará de realização de evento e pagamento de multa no valor de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

Em nota, a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), responsável pelo torneio, diz estar adotando todas as medidas legais cabíveis para garantir a participação de atletas legalmente inscritos na Copa Brasil. "A jogadora Tifanny Abreu, do Osasco São Cristóvão Saúde, está elegível para a participação pelos critérios estabelecidos na política de elegibilidade de atletas trans da CBV".

Os últimos meses foram de muitas proibições para Tifanny, primeira atleta transexual a jogar e a vencer a Superliga. Em dezembro, a FIVB (Federação Internacional de Voleibol) vetou sua participação no mundial de clubes realizado no ginásio do Pacaembu, em São Paulo. Osasco conquistou o bronze.

Já neste mês, a atleta também foi excluída do sul-americano de clubes, em que sua equipe terminou vice-campeã.

A FIVB não proíbe oficialmente a participação de transexuais em eventos internacionais. Porém, a inscrição depende de aval do comitê de elegibilidade de gênero da entidade. O Osasco busca a aprovação do órgão para a jogadora.

Nesta sexta, o time comandado por Luizomar de Moura enfrenta o Sesc-Flamengo, de Bernardinho, na semifinal da Copa Brasil, às 18h30. Este é o maior clássico do vôlei nacional e já decidiu 11 finais de Superliga.

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