ACIDENTE COM LANCHA

Empresário descreve resgate de vítimas da tragédia em Rifaina

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução/WhatsApp/GCN
Voluntários tentando realizar o resgate das vítimas
Voluntários tentando realizar o resgate das vítimas

"Estava tomando banho quando recebi uma mensagem falando do acidente gravíssimo perto do meu bar, saí correndo para tentar ajudar de alguma forma." A fala é do empresário Luiz Ricardo Andrade, que participou do resgate das vítimas da tragédia com a lancha que deixou seis mortos, na divisa entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG), na noite de sábado, 21.

Andrade é proprietário de um bar flutuante localizado próximo ao ponto do acidente. Segundo ele, a embarcação bateu contra um píer, tombou em área rasa e prendeu as vítimas sob o casco e o fundo da represa.

O empresário relatou que foi avisado por uma amiga sobre o acidente e seguiu imediatamente até o local.

Para percorrer cerca de 150 metros até o píer, pediu carona a uma canoa que passava pela área. Quando chegou, três pessoas já haviam sido retiradas debaixo da lancha, sem sinais vitais. Outras três - dois adultos e uma criança - ainda estavam presas sob a embarcação.

"Quando cheguei, o pessoal que sobreviveu já estava tentando virar o barco, ainda tinham pessoas presas no barco", explica.

De acordo com o relato, a lancha virou em trecho raso da represa. Com o tombamento, a parte superior do casco encostou no fundo, impedindo a saída das vítimas. “Para que elas conseguissem sair, seria necessário erguer a embarcação”, afirmou. Pessoas que estavam em outras embarcações tentaram desvirar o barco, mas o peso e a posição dificultaram a manobra.

"A gente estava tentando tirar as pessoas de baixo com alguma esperança. Mas, mais para tentar ajudar mesmo os amigos, os familiares que estavam presentes, que eram sobreviventes."

Erraram o caminho 

Conforme Andrade, sobreviventes informaram que o grupo havia saído de outro bar flutuante, com destino ao condomínio Portal do Lago 2. Durante o trajeto, perceberam que estavam na direção errada e decidiram retornar.

"Nós éramos todos conhecidos, muitos já tinham vindo aqui pra região. Eles estavam comemorando o aniversário em outro bar flutuante", disse.

Segundo o relato, ao realizar a manobra, a lancha seguiu em direção à margem e colidiu contra um píer. Um dos ocupantes teria dito que a embarcação estava em baixa velocidade, mas que, no momento do impacto, o piloto pode ter pressionado o acelerador involuntariamente, fazendo com que a lancha subisse na estrutura e capotasse.

Uma das pessoas que conseguiu sobreviver relatou a Luiz que estava sob o barco no momento do tombamento.

"Ela afirmou que conseguiu sair antes que o casco encostasse totalmente no fundo e tentou retornar para ajudar outras vítimas, mas não conseguiu localizá-las. Pouco depois, a borda da embarcação já estava apoiada no solo, impossibilitando qualquer saída por baixo", explicou.

Luiz informou que, quando chegou, já não havia sinais de vida das vítimas que permaneciam submersas. As tentativas de erguer a lancha mobilizaram pessoas que estavam na região, mas a embarcação não pôde ser movida a tempo.

O acidente de lancha em Rifaina resultou na morte de seis ocupantes, entre eles uma criança de 4 anos. Nove pessoas sobreviveram. As causas da colisão são investigadas pela Polícia Civil de Sacramento e pela Marinha do Brasil, que devem apurar as condições do píer, a condução da embarcação e demais circunstâncias do caso.

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