TABULEIRO POLÍTICO

‘Meu critério é lealdade’, diz Tarcísio sobre escolha de vice

Por Pedro Baccelli | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/Rede Sampi
Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante entrevista à Rede Sampi
Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante entrevista à Rede Sampi

Dar uma guinada na relação com Gilberto Kassab (PSD), aliado político da primeira gestão, firmar um compromisso com outra potência partidária, Baleia Rossi (MDB), ceder à pressão da base do PL e indicar André Prado ou manter a parceria com o atual vice, Felicio Ramuth (PSD).

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá uma decisão estratégica pela frente: definir quem integrará a chapa como candidato a vice-governador na disputa pela reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, em 2026.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Corrêa Neves Jr., da Rede Sampi, nesta sexta-feira, 20, Tarcísio de Freitas afirmou que é uma “decisão definitiva” disputar a reeleição ao Governo do Estado - o republicano apoiará Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

“Eu sempre disse que a minha intenção era completar um ciclo em São Paulo e deixar um legado, corresponder àquilo que a população de São Paulo me deu. A população me deu muita confiança, me entregou uma grande responsabilidade. A gente estruturou um projeto de longo prazo, e eu queria ver isso, porque é a materialização do legado.”

Sobre a definição do vice, Tarcísio de Freitas afirmou que a decisão ainda não está tomada e será construída coletivamente. “Isso vai ser decidido lá na frente. Uma coisa boa é que há muita gente querendo ser vice, então isso é um bom sinal”, declarou.

Segundo o governador, outro ponto positivo é a qualidade dos nomes colocados na mesa. “Todos são extremamente qualificados”, disse. Ele ressaltou que a escolha não será individual. “Seja qual for a escolha do grupo - e essa escolha não é minha -, ela será do grupo. Vamos montar um grupo forte para essa eleição.”

Tarcísio afirmou ainda que o cenário permanece aberto e que novas possibilidades podem surgir ao longo do processo. “Está tudo em aberto. Podemos ter qualquer composição entre os nomes que estão sendo ventilados. Pode ser, inclusive, que apareça algum outro nome mais adiante”, afirmou.

Para o governador, os nomes cogitados reúnem experiência e compromisso com o Estado. “São excelentes quadros, excelentes gestores, pessoas comprometidas com o Estado de São Paulo, com história e estrada. Independentemente de quem for escolhido, estaremos muito bem servidos”, declarou.

Ao ser questionado sobre o critério principal para a definição, foi direto: “O meu critério é lealdade. Lealdade. Lealdade em primeiro lugar”.

Obras

Entre os marcos para um provável segundo mandato, o governador Tarcísio de Freitas elencou o novo Centro Administrativo do Governo do Estado; a consolidação de um “novo centro” na capital paulista - sem a “Cracolândia” -; o túnel Santos-Guarujá; a terceira pista do Sistema Imigrantes; avanços na educação com crescimento do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica); e a consolidação da chamada tabela SUS Paulista na área da saúde.

Ao comentar a transferência da administração do Governo para a região central da capital, Tarcísio detalhou o cronograma. A residência oficial deve permanecer no Morumbi, mas os despachos serão feitos no novo complexo. “A ideia é licitar este ano, assinar o contrato ainda este ano, começar a obra no ano que vem e, em 2030, fazer a mudança”, afirmou.

Segundo ele, trata-se de uma grande operação urbana capaz de alterar a lógica do Centro da cidade. “A gente devolve o Centro para as pessoas. Estamos falando de prédios modernos, fachada ativa, comércio e circulação. Quando você leva a estrutura de poder para aquela região, você coloca as pessoas em confronto com os problemas, e os problemas são resolvidos”, disse.

O projeto prevê ainda um hub de tecnologia, o Parque do Moinho, a requalificação da Estação Bom Retiro e a implantação de um VLT na área central. “Pode escrever: daqui a quatro, cinco anos, o centro de São Paulo será outro, absolutamente diferente”, declarou.

Trem ligando cidades

No eixo da mobilidade, o destaque é o Trem Intercidades Campinas–São Paulo. Após o primeiro ano de contrato, voltado a projeto de engenharia e licenciamento, a obra deve começar agora. A previsão é que o serviço intermetropolitano entre em operação em 2029 e o serviço expresso, em 2031.

O trem terá velocidade média de até 160 km/h e fará o trajeto em cerca de uma hora. “Imagina a pessoa morar em Campinas, trabalhar em São Paulo ou vice-versa e poder ir para o trabalho de trem, confortável, com ar-condicionado, sentada, em uma hora”, projetou.

O serviço sairá de Campinas com paradas em Louveira, Valinhos, Vinhedo e Jundiaí, seguindo depois pelo traçado da Linha 7 até a capital. Já o expresso terá apenas uma parada intermediária, em Jundiaí.

Tarcísio defende que o projeto é o primeiro passo para uma malha ferroviária regional mais robusta. O Trem Intercidades Sorocaba–São Paulo já está modelado e deve ser contratado por meio de diálogo competitivo. Também estão em desenvolvimento os projetos São José dos Campos–São Paulo e Santos–São Paulo.

A ideia, segundo o governador, é integrar as principais regiões concentradoras do PIB (Produto Interno Bruto) paulista - Vale do Paraíba, Baixada Santista, Região Metropolitana de São Paulo, Campinas e Sorocaba - com trens de média velocidade. A expansão futura pode alcançar trechos como Campinas–Ribeirão Preto e Sorocaba–Bauru, aproveitando faixas de domínio de antigas ferrovias, como a Mogiana e a Sorocabana.

Os investimentos serão viabilizados por parcerias público-privadas. Como os projetos não se pagam apenas com tarifa, o Estado precisará aportar recursos. “São projetos muito intensivos em capital. O Estado entra com aporte para fechar a conta”, explicou, ao citar o modelo do Campinas–São Paulo como referência.

Além do TIC, estão previstos dois VLTs em Campinas: um ligando a estação ao Aeroporto de Viracopos e outro conectando a cidade a Hortolândia e Sumaré. A proposta é, no futuro, integrar os três principais aeroportos paulistas - Viracopos, Guarulhos e Congonhas - por meio do sistema ferroviário.

Questionado sobre prazos, o governador projetou que, até o fim da próxima década, o cenário do transporte ferroviário de passageiros no Estado será “completamente diferente”. Para ele, o conjunto de intervenções em mobilidade, requalificação urbana e infraestrutura pesada forma a espinha dorsal do segundo mandato que pretende disputar - e concluir.

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