O Tribunal do Júri de Franca condenou, na manhã desta quinta-feira, 5, Alexandre Júnior da Silva Sousa, de 35 anos, a 26 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo assassinato da companheira Fernanda Cristina de Souza, de 37 anos. O crime foi enquadrado como feminicídio, com a qualificadora de meio cruel.
O julgamento teve início por volta das 9h e foi encerrado próximo das 11h30, quando a decisão dos jurados foi anunciada. Não teve testemunhas no júri. Alexandre estava preso desde o crime, ocorrido em julho do ano passado, no bairro Parque Vicente Leporace, na região Norte de Franca.
Segundo a polícia e laudo do IML (Instituto Médico Legal), Fernanda foi morta por asfixia, dentro do apartamento onde o casal vivia.
Após a leitura da sentença, a advogada de defesa, Elizângela Vara, informou ao Portal GCN/Sampi que irá recorrer da condenação. De acordo com ela, os jurados não consideraram a confissão do réu como circunstância atenuante. “Entendemos que a confissão não foi levada em conta, o que poderia reduzir a pena”, afirmou a defensora.
A advogada também contestou o enquadramento do crime como feminicídio, alegando que, na avaliação da defesa, o caso não teria sido motivado pelo fato de a vítima ser mulher. “O crime ocorreu em razão de brigas constantes do casal, sem premeditação”, declarou.
Familiares da vítima acompanharam o julgamento e, desde o início do processo, pediam Justiça pela morte de Fernanda.
Alexandre seguirá preso e cumprirá a pena em regime fechado, conforme determinado na sentença assinada pelo juiz José Rodrigues Arimatéa.
O crime
Fernanda foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava com Alexandre. De acordo com a investigação, o crime aconteceu no dia 25 de julho, após uma sequência de discussões entre o casal. A Polícia Militar apurou que o desentendimento começou ainda pela manhã e se intensificou no período da tarde.
Durante a briga, Fernanda foi estrangulada. Em seguida, Alexandre tentou simular um suicídio, colocando uma corda no pescoço da vítima. Depois do crime, ele deixou o local, foi até um supermercado e também comprou entorpecentes, que consumiu logo após. Horas mais tarde, o próprio autor acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Enquanto a equipe médica atendia a ocorrência, Alexandre confessou aos policiais que Fernanda não havia tirado a própria vida e assumiu a autoria do homicídio. Ele recebeu voz de prisão e foi levado à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca.
A delegada Juliana Paiva acompanhou os trabalhos no local, juntamente com a perícia, que constatou sinais evidentes de violência no corpo da vítima. O caso foi registrado como feminicídio.