Os gastos administrativos para manter a máquina pública em funcionamento chegaram a R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado nos últimos nove anos, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional corrigidos pela inflação. O montante engloba despesas de custeio como água, energia elétrica, telefonia, serviços de limpeza e vigilância, apoio administrativo e operacional, combustíveis, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, além de diárias, passagens e serviços bancários.
Leia mais: Orçamento 2026 é aprovado com veto de quase R$ 400 mi em emendas
A série histórica, iniciada em 2011, mostra que despesas acima de R$ 70 bilhões eram frequentes nos governos Dilma Rousseff, caíram durante as gestões Michel Temer e Jair Bolsonaro e voltaram a crescer no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, superando novamente esse patamar em 2024 e 2025.
Especialistas alertam que o avanço do custeio administrativo pressiona o orçamento federal, já que essas despesas fazem parte dos chamados gastos livres, limitados pelo arcabouço fiscal a um crescimento máximo de 2,5% ao ano acima da inflação. Como os gastos obrigatórios, como previdência, salários e benefícios sociais, têm crescido em ritmo superior, o espaço para investimentos e políticas públicas vem sendo reduzido.
Dados do Ministério do Planejamento indicam que o governo terá margem de R$ 129,2 bilhões para gastos livres em 2026. Com mais de R$ 70 bilhões comprometidos com despesas administrativas, restará menos espaço para áreas como infraestrutura, bolsas acadêmicas, universidades federais, fiscalização ambiental, Farmácia Popular, emissão de passaportes e atuação de agências reguladoras.
Para analistas ouvidos pelo g1, o cenário tende a se agravar em 2026, ano eleitoral: o crescimento das despesas obrigatórias e o calendário das eleições devem dificultar ainda mais a execução dos gastos discricionários. Além disso, o atual modelo fiscal deixa margem insuficiente para investimentos em um país com as dimensões e demandas do Brasil.
*Com informações do g1