Cada vez que morre um meliante eu fico triste, diz secretário
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, disse nesta segunda-feira (2) que "a cada vez que morre um meliante na troca de tiro [com a polícia] eu fico triste".
"[Fico] porque sei que a pessoa que morreu também tem família, filho, pai e mãe. Eu não queria isso. A gente também não quer o confronto, não", disse o titular da pasta ao comentar o aumento da letalidade policial registrado no estado de São Paulo no ano passado.
Balanço da secretaria divulgado na semana passada aponta para 834 pessoas mortas por policiais civis e militares, em serviço ou de folga, ao longo de 2025. São 21 vítimas a mais do que no ano anterior. O quarto trimestre registrou 276 casos, o maior número da história para o período.
Nico assumiu o comando da secretaria em 2 de dezembro do ano passado. Antes disso, ele era o número 2 da pasta, na gestão de Guilherme Derrite.
"Não é que aumentou. [É que] nós estamos trabalhando mais. Mais do que nunca", disse Nico nesta segunda.Ele afirmou que números como a resolutividade de crimes também aumentaram no período.
O secretário afirmou ainda que "o que não podemos é perder policiais no confronto".
"A vida do policial também vale muito para mim. Um policial que sai de casa para trabalhar e é recebido à bala quando tenta ajudar."
As afirmações foram dadas durante entrevista coletiva sobre uma operação contra suspeitos de planejarem um ataque na capital paulista.
Nico também foi questionado sobre outras estatísticas de violência no estado. O secretário citou a queda no roubo de cargas, que em São Paulo chegou ao menor índice em 25 anos. Também exaltou ações realizadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"[São Paulo vive] Uma outra situação com o fim da cracolândia, com a extinção da favela do Moinho e com a coragem do governador para que conseguíssemos fazer a asfixia financeira [do PCC] no setor de hotéis. Pode acreditar na gente. A gente faz o que gosta. Os índices estão abaixando e vão abaixar mais", declarou Nico.
"Não respondi o que você queria, mas está bom", brincou o secretário em seguida.
A pergunta era sobre o que faria a pasta diante do aumento de furtos registrado no ano passado na cidade de São Paulo e o crescimento de roubos em alguns DPs (Distritos Policiais) onde os números não caíram.
Nove dos 93 DPs paulistanos registraram aumento. No Tatuapé, zona leste, a alta foi de 35% em 2025 na comparação com 2024. Em seguida estão Parque Santo Antônio (aumento de 22%) e Vila Sônia (12,2%).
No geral, porém, roubos atingiram o menor patamar desde o início da série histórica.