INVESTIGAÇÃO

Apuração sobre morte do cão Orelha avança com depoimentos

da Folhapress
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Reprodução
O cão Orelha foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis (SC)
O cão Orelha foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis (SC)

A investigação sobre o ataque ao cão Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis (SC), enfrenta o desafio de ter poucos registros do caso. Para avançar na apuração, a polícia deve concluir a coleta dos depoimentos dos adolescentes suspeitos do crime até quinta-feira (5).

Segundo a polícia, os jovens foram identificados por meio da análise de câmeras e de depoimentos de moradores da comunidade onde o cão vivia.

A delegada Mardjoli Valcareggi, de Proteção Animal, disse na última terça (27) que havia cerca de mil horas de registros em vídeo do caso para análise, obtidas de 14 câmeras de segurança, mas sem registros de maus-tratos a Orelha. As imagens existentes são da agressão a outro cachorro, o cão Caramelo, que teria sofrido uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar.

A polícia inicialmente tratava quatro adolescentes como suspeitos, mas um deles foi retirado do caso e passou a ser considerado testemunha. Segundo a Polícia Civil, apesar de ter sido citado em um primeiro momento, o jovem não aparece nas imagens que foram analisadas.

A família dele também teria apresentado provas de que o jovem não estava na Praia Brava no período incluído nas investigações.

O animal foi atacado no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, mas o caso se popularizou a partir do dia 16, pouco após a abertura de um boletim de ocorrência.

No dia 26 de janeiro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços dos investigados, e a polícia confirmou que três adultos (dois pais e um tio dos jovens) eram investigados por suspeita de coação de testemunhas.

A defesa de dois dos adolescentes ainda investigados afirma que eles são inocentes e vítimas de linchamento virtual.

A defesa afirma que houve uma discussão entre os adolescentes e o porteiro do condomínio, que teria fotografado os menores de idade durante um ato de vandalismo.

Em depoimento à polícia, o porteiro afirmou que não presenciou nenhum espancamento e que teria registrado apenas os adolescentes danificando lixeiras. O incidente ocorreu no dia 12 de janeiro, oito dias após o ataque ao cão.

Dias depois, com a repercussão sobre a morte de Orelha, o funcionário do condomínio teria enviado as imagens a um grupo de WhatsApp, sugerindo o envolvimento dos jovens no ataque, o que as famílias apontam como a origem das acusações.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, corrigiu a informação divulgada em um primeiro momento de que o cão Orelha teria sofrido eutanásia. O animal teria morrido por consequência dos ferimentos.

Ele também negou que haja, até o momento, relação entre o caso e desafios online divulgados na rede social Discord.

O fim de semana foi marcado por protestos pedindo justiça pela morte de Orelha. Na avenida Paulista, centenas de pessoas se reuniram com cartazes e levaram animais de estimação. Também houve protestos semelhantes em Florianópolis, Porto Alegre e Vitória.

Nos últimos dias, a condução do caso passou a ser alvo de críticas.

Pelas redes sociais, o delegado-geral compartilhou uma mensagem na qual foi chamado de "bolsonarista acéfalo" e afirmou que Santa Catarina estaria sendo alvo de ataques por ser um estado de direita.

Ele não participa das investigações sobre o caso, que são conduzidas pelos delegados Mardjoli Valcareggi e Renan Balbino.

Ulisses já vinha sendo acusado de oportunismo por ter adotado o cão Caramelo, que sobreviveu à tentativa de afogamento na Praia Brava. Ele indicou que deve se descompatibilizar do cargo para concorrer a deputado nas eleições deste ano

Outras críticas surgiram após a repercussão de uma fotografia antiga sua com o advogado Antônio Alexandre Kale, que faz a defesa de um dos suspeitos.

Segundo Ulisses, Kale é um delegado aposentado, e a última vez que falou com ele foi em 28 de fevereiro de 2023.

"Não sou amigo, nem íntimo, de advogado do caso e não conheço os suspeitos investigados", disse pelas redes sociais. O delegado também afirmou que vai entrar com uma ação de danos morais contra o indivíduo que atribuiu uma amizade entre ambos.

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