MORTE SUSPEITA

Justiça autoriza exumação do corpo da orientadora Tatiane Cardozo

Por Laís Bachur | de Franca
| Tempo de leitura: 5 min
Redes Sociais
Orientadora Tatiane Cardozo morreu aos 42 anos
Orientadora Tatiane Cardozo morreu aos 42 anos

A Justiça autorizou nesta sexta-feira, 6, a exumação do corpo da orientadora educacional Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, morta aos 42 anos, no dia 20 de abril do ano passado, em Franca. O laudo da morte aponta broncoaspiração e morte natural, mas a família suspeita que a causa pode não ser essas.

Tatiane, que atuava em escolas na região do Jardim Vera Cruz, foi encontrada morta em sua cama, um ano após reatar com o marido. De acordo com a família, quando estava grávida do terceiro filho, hoje com 5 anos, a orientadora educacional descobriu que era traída com a melhor amiga.

O casal se divorciou e ele se casou com a então melhor amiga dela, mas nunca se afastou de Tatiane. Dizia, segundo parentes, que amava as duas. Em abril de 2024, durante uma viagem da família para Barretos, a orientadora contou que tentaria novamente. O marido se divorciou da mulher com quem a traía e, em outubro de 2024, se casaram novamente.

No casamento, apenas os pais e uma sobrinha estiveram presentes. “Eu fui por ela”, disse a sobrinha.

Ela conta que, no cartório, o marido demonstrava desinteresse. O cerimonialista teria chegado a chamá-lo à atenção. Ao sair da cerimônia, a sobrinha passou em frente ao comércio dele e viu a ex-companheira dentro da loja, enquanto o casal comemorava o casamento em um restaurante.

“Ele mentiu para as duas mulheres. Casou com uma dizendo para a outra que estava trabalhando”, relatou.

A morte

A família percebeu que nada havia mudado. Tatiane voltou a demonstrar tristeza profunda. Eles contam que, em abril de 2025, durante nova viagem a Barretos, ela estava abatida, com dores e não conseguia sair da cama.

O marido teria ido embora antes e deixado Tatiane passando mal.

No dia 20 de abril de 2025, após um churrasco em família na casa de Tatiane, ela foi para o quarto com o marido. Horas depois, foi encontrada morta.

“Eu dormi na sala com meus irmãos. Estávamos assistindo televisão e acabamos dormindo no sofá. Isso acontecia com frequência. Até que, durante a noite, eu acordei sentindo uma coisa muito ruim, mas não sabia explicar o que era. Fui até o banheiro e, nesse momento, escutei meu pai me chamando. Saí correndo e o vi sentado na escada, chorando. Ele disse que eu precisava subir até o quarto, porque minha mãe não estava bem e ele não sabia se ela ainda estava viva”, contou a filha mais velha, hoje com 20 anos.

Chorando, a jovem narrou o pior dia de sua vida. “Eu subi correndo e encontrei minha mãe sem vida. Tentei socorrer, fiz o que eu pude. Tentei fazer massagem de reanimação, eu estava em desespero, gritava e ela não me respondia. Então, chamei o Samu, mas ela já estava morta”, disse a filha, em lágrimas.

"Por que meu pai não chamou o Samu, não colocou ela no carro e a levou ao hospital quando viu que ela estava mal?"

O Samu constatou a morte dentro da casa. O marido disse não saber o que havia acontecido, afirmou que ela estava bem e que haviam mantido relações íntimas.

Dois laudos apontam causas diferentes: morte natural e broncoaspiração. “Como pode dois laudos para uma única morte? Nós precisamos saber o que aconteceu com ela”, questiona a irmã.

Atualmente, as duas filhas - a de 20 e a de 12 anos - estão sob cuidados de familiares. A filha mais velha de Tatiane tem a guarda provisória da criança, mas luta para que a consiga integralmente. “Quando ele ia pra casa do pai e da madrasta, voltava triste, chorava e pedia para que o pai não o buscasse”, disse a irmã da orientadora.

Suspeitas

Após a morte, a família teve acesso ao celular de Tatiane e encontrou mensagens em que ela pedia que o marido resolvesse a situação. Segundo a irmã, em uma das mensagens, ele afirma que tudo se resolveria “no dia 20”. “No dia 20 minha irmã morreu. Isso é coincidência?”, questiona.

Foi, então, que a família procurou a Polícia Civil e denunciou as suspeitas. Um inquérito policial foi aberto e a exumação pedida, mas o IML (Instituto Médico Legal) negou a solicitação, alegando que os procedimentos feitos no corpo após a morte de Tatiane impossibilitariam o exame. A Justiça foi acionada e a decisão saiu nesta sexta-feira.

A investigação

A exumação foi autorizada pela Justiça e será realizada como parte do aprofundamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil. À frente do caso, o delegado Davi Abmael Davi afirmou que a medida foi considerada essencial para a apuração dos fatos e que o inquérito seguirá em andamento.

“Decidimos fazer a exumação do corpo, que seria uma prova de grande peso. Fizemos um pedido judicial para que seja realizada essa prova, o juiz entendeu e o promotor foi favorável”, explicou.

Embora ainda não haja data definida para o procedimento, a autorização já foi concedida. Segundo o delegado, o pedido se baseia em indícios colhidos ao longo do inquérito policial, mas detalhes seguem sob sigilo.

“Nós temos indícios que ainda não serão revelados. Aguardaremos para apontar algo com profundidade e com substância, para que a Justiça tome as providências devidas”, completou.

O que diz a defesa

Procurada pela reportagem, a defesa do marido informou, por meio da advogada Taticeli Cardoso, que o processo tramita em segredo de Justiça, razão pela qual não é possível prestar quaisquer informações ou comentários sobre o caso, em respeito à legislação vigente e às partes envolvidas.

"Informo, ainda, que todas as medidas necessárias já estão sendo devidamente adotadas no âmbito processual", disse a advogada.

Comentários

Comentários