PRISÃO

Papudinha muda com Bolsonaro, e presos podem pedir igualdade

Por Fabíola Perez | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
STF/Divulgação e Tânia Rêgo/Agência Brasil
Cela onde Bolsonaro vai ficar na Papudinha em Brasília
Cela onde Bolsonaro vai ficar na Papudinha em Brasília

As concessões feitas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o cumprimento de pena na Papudinha têm alterado a rotina de outros presos na unidade.

A reportagem ouviu um militar da PM do DF e advogados de outros presos que cumprem pena na unidade. As fontes preferiram não se identificar por se tratar de informações internas da unidade e para não expor os custodiados que representam.

As mudanças

A ida de Bolsonaro à Papudinha causou remanejamentos em celas. Antes mesmo de entrar na unidade, o ex-presidente provocou mudanças na rotina. Acusada de tráfico de drogas, a advogada Jéssica Castro de Carvalho, 30, estava alojada desde novembro com outra mulher na Sala de Estado Maior e teve de ser transferida para ceder espaço a Bolsonaro.

Em conversa com o advogado que a representa, Alexandre de Melo Carvalho, Jéssica chegou a se queixar das mudanças. "Retirar as coisas e mudar toda hora de cela provoca abalos no psicológico dos presos", diz ele.

Bolsonaro não poderá ter contato com outros detentos por determinação do STF ?o que pode alterar a dinâmica nas áreas externas. Com isso, se desejar fazer atividades laborais na unidade, como cuidar da horta, os demais presos não poderão estar presentes no momento em que o ex-presidente estiver.

Agentes terão de organizar o banho de sol por meio de escalonamento de horários. Fontes da Polícia Militar do Distrito Federal, que fazem a gestão do espaço da Papudinha, afirmam que, no momento do banho de sol do ex-presidente, os outros presos da unidade não poderão estar no espaço.

Na decisão, o ministro afirma que o banho de sol poderá ocorrer a qualquer horário. Com a presença de Bolsonaro, a ideia é que os agentes de segurança estabeleçam o horário em que o ex-presidente ficará isolado e, a partir daí, acordem o melhor horário para os demais presos.

Equipes de segurança foram reforçadas para garantir o cumprimento de regras, apontam fontes ligadas ao 19º Batalhão. A reportagem conversou com equipes de defesa de outros presos que cumprem pena na Papudinha que confirmaram o reforço da vigilância no 19º Batalhão. Isso porque, além do ex-presidente, estão na unidade o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, e o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques - todos condenados por participação na trama golpista.

Presença de Bolsonaro pode ampliar a assistência médica a outros detentos. Fontes ligadas à Papudinha afirmam que a unidade não tem assistência médica regular no espaço físico da unidade. Com a determinação de Moraes para garantia de atendimento ao ex-presidente, outros presos poderão ser eventualmente assistidos pela mesma equipe, caso haja necessidade.

Unidade terá mais servidores para preencher escala de atendimento médico à noite e aos finais de semana após chegada de Bolsonaro. A reportagem apurou que, com a determinação de Moraes para atendimento médico 24 horas por dia ao ex-presidente, a Secretaria de Saúde acionou mais profissionais para serem encaminhados à unidade. Questionada, a pasta não confirmou a informação até o momento da publicação.

As concessões dadas a Bolsonaro em relação às visitas podem motivar advogados de outros presos a fazerem petições para exigir "igualdade de direitos". Uma fonte ouvida pela reportagem explica que as visitas aos demais detentos ocorre uma vez por semana. Já as visitas a Bolsonaro devem ocorrer às quartas e quintas-feiras, nos horários de 8h às 10h; 11 às 13h; ou 14h às 16h.

Como é a Papudinha

Gestão do local passa por constantes adaptações, afirma fonte ligada à Papudinha. O local tem capacidade para 60 presos, como militares, autoridades, ex-autoridades e advogados cujo registro ainda consta como ativo na OAB. "Essas autoridades têm certa privacidade por lá pela função que exerceram."

As regras na unidade ficam sujeitas às decisões dos magistrados e são analisadas pelas equipes caso a caso. "A gestão da ocupação segue critérios rigorosos definidos por decisões judiciais e protocolos de segurança", informou a PM-DF. A reportagem questionou a PM do Distrito Federal se a chegada de Bolsonaro impactou a rotina dos detentos, mas não obteve retorno até a publicação do texto.

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