REGIME FECHADO

Sérgio Nahas é preso na Bahia 23 anos após matar a esposa em SP

Por Francisco Lima Neto | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Polícia Civil/O Globo
Após passar por audiência de custódia, o empresário foi encaminhado para o sistema prisional.
Após passar por audiência de custódia, o empresário foi encaminhado para o sistema prisional.

O empresário Sérgio Nahas, 61, condenado pela morte da esposa, Fernanda Orfali, 23 anos atrás, foi preso em Salvador. A detenção ocorreu no sábado (17), na Praia do Forte, no município de Mata de São João, na Bahia, após ser identificado por câmeras de monitoramento, de acordo com a Polícia Militar do estado.

Segundo a polícia, ele estava na região da Praia do Forte. Após passar por audiência de custódia, o empresário foi encaminhado para o sistema prisional.

Em 20 de maio de 2025, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo, a segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu pelo aumento da pena de prisão do empresário para 8 anos e 2 meses em regime fechado pela morte da mulher, em 14 de setembro de 2002, dentro do apartamento do casal, em Higienópolis, centro de São Paulo.

Em 2018, Nahas havia sido condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Na ocasião, ele recorreu da sentença ao STF e estava em liberdade aguardando o julgamento, realizado nos últimos dias em sessões virtuais.

À época, a advogada de Nahas, Adriana Machado e Abreu, informou à Folha que iria entrar com os recursos cabíveis "para que uma injusta condenação/prisão não ocorra".

À polícia o empresário contou que, na ocasião, havia brigado com Fernanda. Ela teria então se trancado em um armário com uma arma e dado dois disparos contra a porta.

Assim que o marido arrombou o armário, ela teria se matado. "Mas há testemunhas que afirmam que o barulho do arrombamento ocorreu antes dos tiros. E, segundo o laudo da perícia policial, o tiro que a matou foi dado de uma distância superior a 50 centímetros", disse o promotor Roberto Tardelli, então responsável pelo processo.

O laudo da Polícia Científica também não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda. A defesa, no entanto, afirmou que a arma só deixava vestígios na roupa.

O promotor denunciou Nahas por homicídio duplamente qualificado. Ele chegou a ficar preso por 37 dias por porte ilegal de arma, mas foi solto por decisão judicial.

No inquérito, a polícia aponta que o motivo do crime seria que a mulher havia descoberto um caso do empresário e que ele também usaria drogas. Quando morreu, as malas dela estavam prontas e ela procurava emprego.

O julgamento de Sérgio Nahas foi adiado diversas vezes. Em março de 2018, o ministro Celso de Mello, do STF, suspendeu uma sessão do júri popular marcada para março daquele ano. A decisão foi tomada após a defesa de Nahas alegar que o recurso do Ministério Público contra a sentença de pronúncia (decisão que submete o réu a júri popular) foi apresentado fora do prazo legal de cinco dias, conforme o Código de Processo Penal.

Posteriormente, em 2024, a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou recurso em habeas corpus interposto por Nahas. O STJ entendeu que a questão já havia sido apreciada anteriormente e que a impetração era mera reiteração do pedido.

Já no julgamento do STF, a segunda turma - formada pelo relator, o ministro Dias Toffoli, além dos ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça - votou de forma unânime negando o agravo regimental apresentado pela defesa do empresário, recurso que pretendia impugnar a decisão do TJSP que o condenou.

Assim, o Supremo manteve a decisão original e ainda aumentou a pena para 8 anos e 2 meses.

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