Conselho Consultivo do São Paulo rejeita impeachment de Casares
O Conselho Consultivo do São Paulo se manifestou contra a abertura de um processo de impeachment do presidente Julio Casares.
O órgão, formado por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo, realizou uma reunião extraordinária nesta terça-feira (6), em um prédio na zona oeste da capital. Dos 12 integrantes do grupo, nove participaram do encontro.
O único a se posicionar a favor da abertura do processo de afastamento foi José Carlos Ferreira, presidente do Conselho Deliberativo entre 2011 e 2014.
"Entendo que existe prova material de situações que ensejam a destituição do presidente, inclusive por gestão temerária", afirmou Ferreira.
Em nota, José Eduardo Mesquita Pimenta, presidente do Conselho Consultivo, alegou, entre outros motivos, que "as acusações carecem de provas materiais, especificamente contra o presidente, que alegou inocência".
Apesar da manifestação do Conselho Consultivo, o órgão é apenas opinativo e não tem poder para afastar o mandatário. A decisão sobre a abertura ou não do processo cabe ao Conselho Deliberativo, que tem até o dia 6 de fevereiro para se reunir e deliberar sobre o tema.
A recomendação ocorre no mesmo dia em que o portal UOL informou que a Polícia Civil investiga o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro pelo presidente do São Paulo. As autoridades também apuram 35 saques que somam R$ 11 milhões feitos na conta do clube.
"Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira", diz nota dos advogados do dirigente, Daniel Bialski e Bruno Borragine.
Recentemente, Mara Casares, ex-esposa de Julio, e Douglas Schwartzmann, diretor do clube, também passaram a ser investigados por um suposto esquema de desvios de ingressos em shows realizados no Morumbis. Ambos negam irregularidades, mas se afastaram de seus cargos.
VEJA A NOTA DO CONSELHO CONSULTIVO DO SÃO PAULO
"São Paulo, 06 de janeiro de 2026
O Conselho Consultivo do SPFC, após examinar o pedido de "impeachment" do Presidente do Clube encaminhado pelo Conselho Deliberativo e subscrito por 57 conselheiros e duas notícias do UOL, após a oitiva do presidente Júlio Casares, por maioria de votos decidiu que:
1 - As acusações carecem de provas materiais, especificamente contra o Presidente, que alegou inocência.
2 - O Secretário Geral do Conselho, em seu livro "O impeachment na Constituição de 1988" - Edição Cejup - Belém do Pará - 1992¹ mostrou através do uso deste Instituto no Brasil e no exterior, que a decisão do Colegiado (parlamento), quando o utiliza, tem uma base jurídica inicial, mas sua decisão final é política, ou seja, se tem a pessoa acusada condições ou não de continuar dirigindo o País, a unidade federativa provincial ou municipal sob sua condução.
3 - Não obstante a gravidade do momento, diante da inexistência de prova material ou de comportamento que já não tenha sido, habitualmente, utilizado na direção do Clube, entende que, do ponto de vista estritamente jurídico, não há elementos de prova material para justificar um parecer favorável ao impeachment presidencial.
José Eduardo Mesquita Pimenta
Presidente do Conselho Consultivo"