GATOS E HUMANOS

Esporotricose avança em SP e acende alerta para saúde pública

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Prefeitura de Dois Vizinhos
Entre 2022 e 2023, os casos confirmados em animais saltaram de 2.417 para 3.309 no estado.
Entre 2022 e 2023, os casos confirmados em animais saltaram de 2.417 para 3.309 no estado.

A esporotricose tem avançado aceleradamente no estado de São Paulo e acendeu um alerta para a saúde pública. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-SP) divulgou nota técnica apontando a expansão da zoonose, que afeta principalmente gatos e já provoca impactos relevantes tanto na saúde animal quanto na humana.

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Causada por fungos do gênero Sporothrix, a doença era registrada pontualmente no estado até 2010. A partir de 2011, os casos cresceram expressivamente, com o primeiro grande surto identificado na Zona Leste da capital paulista. Desde então, a esporotricose se espalhou para municípios da Região Metropolitana e do litoral, indicando avanço contínuo da enfermidade.

Entre 2022 e 2023, os casos confirmados em animais saltaram de 2.417 para 3.309 no estado. Apesar do aumento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte de São Paulo, o que dificulta a real dimensão do problema e o planejamento de ações de controle.

Em humanos, os registros também cresceram de forma contínua entre 2011 e 2024, especialmente em áreas metropolitanas. Diante desse cenário, a esporotricose humana passou a integrar, a partir de 2025, a lista nacional de doenças de notificação compulsória, com registro obrigatório no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Segundo o CRMV-SP, os gatos exercem papel central na cadeia de transmissão, devido à alta concentração do fungo em lesões de pele, garras e cavidades oral e nasal. Animais com acesso às ruas, não castrados ou em situação de abandono apresentam maior risco de infecção e disseminação da doença. A transmissão decorre tanto do contato com solo contaminado quanto por arranhões, mordidas ou secreções de animais doentes.

Em humanos, os sintomas podem surgir dias ou até meses após o contágio e incluem nódulos que podem evoluir para feridas abertas. Em casos mais graves, especialmente em pessoas imunossuprimidas, a doença pode atingir pulmões, ossos e articulações. O CRMV-SP reforça que o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais para evitar complicações.

O enfrentamento da esporotricose envolve diagnóstico rápido, tratamento adequado de pessoas e animais, isolamento de gatos infectados e orientação à população para evitar o abandono de animais doentes. A atuação integrada dos serviços de vigilância em saúde é considerada fundamental para conter a disseminação do fungo.

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