POLÍTICA

PF apura se 'Abin Paralela' sob Bolsonaro monitorou ministros do STF e políticos

Por Fabio Serapião | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo/Agência Brasil
A ação desta quinta-feira é um desdobramento da operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023 para investigar o uso do FirstMile
A ação desta quinta-feira é um desdobramento da operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023 para investigar o uso do FirstMile

 A Polícia Federal investiga se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) utilizou o software espião FirstMile e produziu relatórios sobre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e políticos adversários do ex-presidente da República.

Entre alvos estariam os ministros do STF, Gilmar Mendes, e políticos como o atual ministro da Educação Camilo Santana (PT), então governador do Ceará. As autoridades teriam sido alvos de uma estrutura paralela dentro da Abin, integrada por policiais federais e oficiais de inteligência próximos ao então diretor da agência, Alexandre Ramagem.

O deputado federal é um dos alvos da operação Vigilância Aproximada, deflagrada pela PF nesta quinta (25) e que investiga uma "organização criminosa que se instalou na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial".

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023 para investigar o uso do FirstMile. Nessa nova fase, o foco principal são policiais que atuavam na Abin, em especial no CIN (Centro de Inteligência Nacional), estrutura ligada ao gabinete de Ramagem na agência durante o governo Bolsonaro.

Ao todo, sete policiais federais são alvos da ação e foram afastados dos cargos públicos.

Foram colocados em cargos de chefia no CIN servidores da agência e policiais federais próximos à Ramagem e da família Bolsonaro, o que fez com que ele fosse apelidado de "Abin paralela".

Além de Ramagem, ao menos dois agentes da PF, Marcelo Araújo Bormevet e Felipe Arlotta Freitas, que atuavam no CIN são alvos das medidas desta quinta-feira.

O ex-diretor da Abin teria sido corrompido por dois oficiais da Abin que ameaçaram divulgar o uso do software espião após a agência cogitar demiti-los em um processo administrativo interno por participação em uma fraude licitatória do Exército.

Segundo a PF, as provas coletadas na primeira fase da operação mostram que "o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência do Estado para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal".

Como mostrou a Folha de S.Paulo, documentos em posse da Polícia Federal indicam que funcionários da Abin lotados no CIN utilizaram o software espião FirstMile durante o governo Bolsonaro --a ferramenta invadia a rede de telefonia nacional.

O CIN tem origem em um decreto de Bolsonaro, assinado em julho de 2020, que criou novas estruturas dentro do organograma da Abin, à época chefiada por Ramagem.

A justificativa para criação do CIN foi planejar e executar "atividades de inteligência" destinadas "ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado" e assessorar órgãos competentes sobre "atividades e políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosa".

O centro foi desmontado pela reestruturação promovida pela atual direção da Abin, já no governo Lula (PT), após a operação da PF que mirou o software espião.

Comentários

6 Comentários

  • Hilda 25/01/2024
    E a galera das FA indo atrás do Bolsonaro, se sujando toda por um cara que nem de militares ele gosta! Fizeram papel de bobos!
  • Noá 25/01/2024
    Essa família Bolsonaro parece ser mais podre que Pau de galinheiro! Cana pra todos!
  • Tati 25/01/2024
    Nojo dessa política nojenta do nosso país!
  • Nando 25/01/2024
    Que feio! Que degradação! Isso foi a verdadeira baixaria nacional c divulgação internacional.
  • Anônimo 25/01/2024
    Se queimou a toa por causa da família botininha! Kkkk agora paga uma fortuna pra adv tirar da roubada! Vai, faz! Dá nada não! Só Que não!!!
  • Luiz Gonzaga Lisboa 25/01/2024
    Até os gatos das ruas sabem do apreço que o Jair tem pelas instituições e pelos direitos pessoais das pessoas, é claro que ele mandou ver ministros e políticos tomando banho, é lógico que os seus lacaios cumpriram essas ordens, Cid, Ramagem, são dois desses que buscavam o pauzinho e depois sentavam esperando afagos do chefe, quem não sabe disso?.