Nhoque de banana


| Tempo de leitura: 5 min
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
 
 5 bananas-da-terra
 1 pimentão vermelho
 1 cebola média
 4 dentes de alho
 4 colheres (sopa) de azeite 
 Sal a gosto
 1 pitada de páprica doce
 1 pitada de pimenta-do-reino
 ½ maço  de cheiro- verde
 500 ml de molho de tomates
 
Foi no filme Banana da Terra, grande sucesso nos primórdios do cinema nacional, que Carmem Miranda cantou e dançou “O que é que a baiana tem?”. Dorival Caymmi havia escrito a letra e composto a música para ela, então iniciando carreira nos Estados Unidos. Produzido por Wallace Downey, com roteiro de Jo ão de Barro ((Braguinha) e M ário Lago, e direção de Ruy Costa, o filme imortalizou a artista que emblematizou o Brasil tropical. Esta cena, que os de minha geração ainda conservam na memória, de vez em quando é apresentada na TV, em algum raro momento revival. No turbante de Carmen Miranda, muitas frutas, uma delas a banana-da-terra do título, alusão a um reino chamado Bananolândia, localizado numa ilha do Pacífico. O samba selou o destino de Dorival Caymmi como grande compositor e serviu como ponto de partida para a trajetória de prestígio nacional e internacional da cantora. Lenda ou fato, conta-se que a música só foi incluída no filme porque Ary Barroso havia pedido uma fortuna pelos direitos autorais de Na baixa do sapateiro. Há outros clássicos cantados por artistas que já vão caindo no esquecimento: Orlando Silva, Carlos Galhardo, Linda Batista, Emilinha Borba... Da atuação deles, só notícias remotas, pois as seis cópias do filme se perderam. Nossa vocação de povo descuidado com sua memória vem de longe e permeia quase tudo. Mas a banana como signo de país de terceiro mundo continuaria inspirando outros, como o grande Braguinha em sua marchinha de Carnaval “Yes, nós temos banana”. 
 
Sim, ainda temos bananas, mas menos que antes. Hoje o maior produtor é a Índia, seguindo-se Uganda, China, Filipinas, Equador. O Brasil ocupa um modesto sexto lugar. O cultivo dessa fruta pelo homem teve início no sudeste da Ásia. Ela é mencionada em documentos escritos, pela primeira vez, em textos budistas de cerca de 600 a.C. Sabe-se que Alexandre, o Grande saboreou bananas nos vales indianos em 327 a.C. Mas plantações organizadas somente são registradas a partir do s éculo III na China. Em 650, isl âmicos levaram mudas para a Palestina; e mercadores árabes a divulgaram por grande parte da África, onde ela foi batizada como “banana”. Permaneceram entretanto desconhecidas, por muito tempo, da maior parte da população europeia. Por isso J úlio Verne, na deliciosa narrativa de aventuras A volta ao mundo em oitenta dias, de 1872, sentiu necessidade de descrevê-las detalhadamente, pois sabia que grande parte dos seus leitores as ignorava.
 
Nos s éculos XV e XVI, colonizadores portugueses começaram a plantação sistemática de bananais nas ilhas atlânticas, no Brasil e na costa ocidental africana. As espécies cultivadas eram a nanica, assim chamada porque seu pé é pequeno; a maçã, pela similaridade de gosto; e a ouro, pequenina, bem doce, casca de intenso amarelo. Entretanto, algum tempo depois descobriu-se outra espécie nativa no Brasil. Era a banana-da-terra, maravilha da natureza que pode ser usada integralmente em pratos muito saborosos, nutritivos e econômicos como este nhoque com bolonhesa, onde são aproveitadas polpa e casca. Foi com esta criação que Nina Araújo conquistou o segundo lugar no Concurso Chef Sesi, edição 2017, unidade Franca. Trago-a hoje aos leitores, lembrando que para o bom sucesso da receita a banana não pode estar muito madura, caso contrário não se consegue o ponto de enrolar. Ao preparar o prato para os jurados, Nina avisou sobre o detalhe: bananas em tal ponto de maturação não lhe permitiriam obter uma massa de cortar. 
Então ela improvisou, como todo grande chef, e fez um escondidinho que ficou espetacular. Caso você queira experimentar, lembre-se disso e se prepare para a possibilidade de mudar a proposta no meio do caminho. 
 
Escolhi frutas maduras mas firmes. Lavei em água corrente e enxuguei com pano de prato. Descasquei depois de cortar pontas e cabos. As cascas fracionei em pedaços menores e coloquei no processador. Deixei triturar por três minutos. Retirei e reservei. Numa panela média aqueci o azeite de oliva e nele refoguei a cebola cortada em cubinhos até que ficasse transparente. Reuni o alho bem picadinho e deixei dourar. Agreguei o pimentão vermelho cortado em tirinhas finas. Mexi, deixei murchar, juntei as cascas trituradas. Temperei com sal, páprica doce, pimenta-do-reino. Voltei a mexer por uns cinco minutos. Acrescentei o molho de tomates e baixei a chama para continuar cozinhando lentamente. Cortei as bananas em três pedaços cada, coloquei numa tigela, levei ao micro-ondas por seis minutos. Outra opção é usar o forno tradicional, mas aí o tempo será maior, cerca de meia hora. Quando a banana estiver macia (teste com a porta do garfo), retire e coloque no processador com um fio de azeite. Ligue o motor e acompanhe a transformação. No meu caso, vi que a massa se formou em três minutos. Retirei com a espátula, coloquei sobre o mármore da pia, fiz os cordões e cortei os nhoques. Nem precisei polvilhar farinha, tão boa ficou. Testei o tempero do molho e vi que estava perfeito: casca cozida, com aspecto de carne moída, sabor excelente, textura perfeita. Acrescentei o cheiro verde picado finamente e mexi. Despejei conchinhas de molho em quatro tigelas, sobre ele distribuí os nhoques, enfeitei com duas folhas de cebolinha e servi a delícia. Quem conhecer meus parceiros de cozinha- Elza, Dirceu e Lucas- pode perguntar a eles o que acharam desta iguaria. 
 
 

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