porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
ingredientes
Para o pão
1 colher (sopa) rasa de fermento para pão
1 colher (sopa) cheia de açúcar
¼ de xícara (chá) de água morna
1 xícara (chá) de manteiga sem sal
2 ovos
3 xícaras de farinha de trigo
1 colher (café) de sal
Para pincelar
1 gema ligeiramente batida
1 colher (sopa) de sementes de gergelim
Para o creme de espinafre
1 cebola picada
¼ de xícara de manteiga
¼ de xícara de farinha de trigo
1 xícara de leite
1 ½ xícara de folhas de espinafre cozidas, escorridas e picadas
Sal, noz-moscada e pimenta-do-reino a gosto
No início o pão era feito com grãos de trigo e cevada, moídos grosseiramente sobre pedras grandes e planas e transformados em mingau espesso. Colocada sobre uma superfície aquecida, esta pasta se transformava numa massa áspera, achatada, o pão primordial do homem da pedra. O tempo andou vagarosamente, mais ou menos 5 mil anos, até que a invenção do forno contribuísse grandemente para o desenvolvimento do alimento que seria conhecido por todo o mundo. Dos povos antigos, os egípcios foram os que registraram as maiores variedades no que se refere ao assunto. Eles inventaram filões de diferentes tamanhos; com sementes de papoula e gergelim; aromatizados com cânfora e ervas amargas; adoçados com mel; enriquecidos com leite e ovos. Tornaram-se conhecidos pelo aposto “comedores de pães.”
Os romanos, em algum momento da história, amealharam a receita dos egípcios e a aprimoraram rápida e eficazmente com sua já conhecida técnica de moagem do trigo. Criaram renovadas formas de sova e sofisticaram a lista dos ingredientes. No tempo de Cristo, era alimento democrático. À época já existiam associações rudimentares de padeiros. Estes profissionais se organizaram melhor nos dois séculos seguintes e no ano 200 o governo romano os autorizou a criar padarias-escola . Com o tempo a atividade passou a ser hereditária, fato que se perpetuou em muitas famílias.
Receita de pão todo mundo que gosta de cozinhar tem a sua. É consensual que na lista entrem farinha, água, fermento. Nem o sal é essencial, pois em toda a Toscana, famosa pelas suas massas, fazem pão totalmente sem ele. Portanto, sal ou açúcar, manteiga ou azeite, leite, ovos, ervas, especiarias são acréscimos que vão singularizar o produto final. O jeito de moldar a massa também faz muita diferença.
Falar em fazer pão em casa é como se preparar para uma aventura. É gostoso reunir secos e molhados, mexer para que a farinha vá absorvendo a água e fermento, sovar e sovar. Depois esperar crescer; enrolar; ter paciência e aguardar crescer mais um pouco. O capítulo final se escreve no forno. Hoje, o elétrico ou o a gás tiram um pouco da satisfação antiga de levar a massa na pá para dentro da boca do forno à lenha que geralmente ficava no quintal. Isso acabou. Mas ao sentir o perfume de um pão assando na sua cozinha destes tempos pós-modernos, você com certeza vai achar que valeu a pena a experiência. Cheiro de pão assando é embriagante. Costuma levar a gente para a infância, quando os perfumes estão sendo descobertos.
A foto que estampa a página é a de um “pão campestre”. Encontrei a receita numa pilha de revistas antigas que colecionei ao longo dos anos. Muitas delas me foram presenteadas por amigas. Tenho tido boas surpresas ao folhear páginas de dez, vinte, até trinta anos. Assim, na revista Cláudia de 1991, na seção “Invenções da Bettina”, leio que a receita foi inspirada num brioche que a autora havia experimentado “há muito tempo, num jantar elegante”. Para acompanhar, ela criou duas opções de recheio: um vegetariano e outro com frango defumado. Tendo em vista toda a polêmica com os frigoríficos, as carnes e os fiscais, e considerando os benefícios do espinafre (de que é pródiga em elogios a chef Rita Lobo) para nossa saúde, fiz a opção pelo primeiro. Vamos lá.
Misture o fermento e o açúcar com a água morna. Acrescente uma colher (sopa) de farinha de trigo e espere levedar. O mingau vai crescer, sinal de que os micro organismos do fermento estão agindo. Quando estiver com aspecto de espoja, junte aos poucos os outros ingredientes: os ovos, um a um; metade da manteiga, metade da farinha. Mexa com colher de pau até obter uma massa homogênea. Esgote os ingredientes e então coloque a mão na massa. Sove bastante. Deixe descansar por meia hora. Unte uma forma de anel ( de 25 cm de diâmetro ) e polvilhe farinha. Faça um cordão com a massa e corte em nove pedaços. Enrole cada um como uma bola. Ajeite essas bolas no fundo da forma, uma ao lado da outra. Pincele com a gema ligeiramente batida. Salpique as sementes de gergelim. Deixe crescer mais vinte minutos e leve ao forno preaquecido a 200º por uns 25 minutos ou até dourar. Sirva com o recheio de espinafre, na verdade um creme. Faça assim. Frite a cebola na manteiga até ficar macia. Acrescente a farinha. Retire do fogo e,
aos poucos, junte o leite, mexendo bem. Volte ao fogo baixo e, sempre mexendo, deixe ferver e engrossar. Junte o espinafre, tempere com sal, noz moscada, e pimenta-do-reino. Cozinhe por mais dois minutos. Estará pronto para servir.