Aprendemos desde cedo nas aulas de história que o comércio de especiarias foi um dos fatores que levaram à descoberta do Brasil. Na cabeça dos alunos nem sempre faz muito sentido a relação de causa e efeito, porque não se explicam devidamente as circunstâncias decisivas. Na verdade, este comércio já era considerado muito antigo ao tempo do romano Cícero, que se queixava de que a cada ano o Império fechava balanço comercial externo negativo com o Leste, ou seja, com os produtores asiáticos de especiarias.
Desde a Antiguidade e durante séculos povos que viriam a constituir a Europa buscavam tais produtos no sudeste da Ásia. Especiarias eram utilizadas para conservar e melhorar o sabor dos alimentos, mas também como medicamento, perfume, afrodisíaco, incenso, etc. Tinham longa durabilidade, suportavam meses de viagem sem perder qualidades intrínsecas, garantiam grandes lucros aos que se aventuravam a buscá-los por longa e perigosa rota. Mas eis que no dia 29 de maio de 1453, com a queda de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, o negócio das especiarias precisou ser reconfigurado. No comando da cidade ( hoje Istambul), ponto crucial do caminho mediterrâneo, os turcos impuseram bloqueio total aos mercadores cristãos. Para resolver o problema, os países ibéricos procuraram alternativas para chegar às Índias. A Espanha optou por rota ocidental e encontrou a ilha de Hispaniola, na América Central; Portugal explorou a rota oriental, contornando a África, e descobriu o monte Pascoal, uma ponta do Brasi.
Cabral custou um pouco a entender que não descobrira uma ilha e sim outro território que não era a Índia. Por isso chamou aos nativos de “índios”. Desfeito o engano, orientou Pero Vaz de Caminha a escrever a Dom Manuel, o Venturoso, a carta sobre a nova terra, e ordenou o retorno de uma das naus a Portugal. Em seguida rumou para as Índias, numa viagem que consumiria sete das treze naus e metade da tripulação. Ainda assim, quando voltou a Lisboa em maio de 1501, com cinco navios carregados, o lucro da Coroa foi calculado em 800%!
Hoje, quando qualquer supermercado nos oferece a preços baixos canela, cravo, noz-moscada, pimenta-do-reino, gengibre e tantos outros condimentos, fica mesmo difícil imaginar que as especiarias estiveram entre os fatores responsáveis pelo “descobrimento” do novo continente. É que naquela época estes artigos atualmente prosaicos eram tão raros que tinham seu preço cotado em ouro.
Entre eles, em primeiro lugar vinha a pimenta-do-reino: 60 quilos valiam, à época da expansão marítima, 52 gramas de ouro. Depois se destacava o cravo, usado para aromatizar alimentos e compor remédios: 1 kg custava 7 gramas de ouro. Em terceiro lugar na ordem de importância estava a canela, mencionada por autores clássicos como Heródoto e também no livro de Êxodo e Provérbios: 1kg de rama valia 10 gramas de ouro. A noz-moscada ocupava o quarto lugar neste ranking milionário, sendo seguida de perto pelo gengibre: respectivamente 5 e 4 gramas do metal por quilo. Todos estes produtos, tão logo começou o processo de colonização das Américas, foram cultivados de forma rápida nas zonas tropicais. Com a oferta excedendo a demanda, os preços despencaram.
Quatro das cinco especiarias listadas entram na receita de hoje. O nome se deve ao fato de por muito tempo serem servidas em Portugal no dia 6 de janeiro, embora tenham sido outras as especiarias que os Magos ofereceram a Jesus.
Mãos à massa. Numa tigela grande peneire duas vezes farinha de trigo misturada com fermento e pitada de sal. Em seguida junte, pela ordem: canela e cravo-da-índia em pó; noz-moscada e gengibre ralados; mel, leite condensado, ovo ( clara e gema), manteiga em temperatura ambiente. Mexa primeiro com colher de pau e, depois sove com as mãos até formar uma bola. Leve à geladeira por meia hora. Ligue o forno em temperatura alta (180 graus). Retire a massa da geladeira, estenda com rolo numa espessura de 1 cm, corte com moldes em formato de estrela. Coloque os biscoitinhos em forma untada e enfarinhada, leve ao forno por quinze minutos. Eles vão ganhar uma bonita cor acobreada, como tudo o que leva mel. Deixe esfriar e coloque um pingo de glacê de limão no centro de cada um. O glacê você faz misturando uma xícara de açúcar de confeiteiro com uma colher (sopa) de suco de limão.
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico
Ingredientes
Meio quilo de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de gengibre ralado
1 colher (café) de cravo em pó
1 colher (café) de noz moscada ralada
½ xícara (chá) de leite condensado
½ xícara (chá) de mel
½ xícara (chá) de manteiga
1 ovo