Com sua cor de vida, a beterraba é bonita, faz bem à saúde, mostra-se versátil na cozinha. Vai bem crua e ralada entre folhas verdes; cozida e cortada em rodelas como um carpaccio; transformada em purê como entradinha; em forma de sopa cremosa à qual se mistura um fio de creme de leite azedo- a famosa borsch. Fica linda e saborosa como se vê na foto: cortada em cubos mínimos ou passada no processador até ficar como uma carne moída grossa. É o chamado tartare, apreciado nos países nórdicos e, nos últimos tempos, por aqui também. Chefs chilenos e argentinos tomaram-se de amores pela beterraba e a incluíram em seus cardápios de entradas.
Com a designação científica Beta vulgaris, esse vegetal vermelho tem seu nome em português derivado do francês betterrave, com origem no latim betta (acelga) e rapa (varia ção de rapum, nabo). Em outros países também tem base no nome botânico da acelga, beta, às vezes com variações. No idioma inglês chama-se beet (EUA) ou beetroot (Inglaterra). Em holandês, aparece como beet tamb ém. Em espanhol é chamada beterraga ou remolacha. A palavra barbabietola, em italiano, tem novamente relação com acelga (bietol). Em alemão, seu nome, rübe, igualmente faz referência a nabo, sendo ainda conhecida como zuckerrübe (zucker significa açúcar).
Planta típica do clima temperado, seu berço é a Europa e o norte da África. Em certo momento, apenas as folhas eram usadas na alimentação. Acredita-se que os antigos romanos foram os primeiros a fazer uso culinário da raiz. Depois, os bárbaros invasores de Roma difundiram pela Europa o cultivo do vegetal, que era usado, primeiro, para os animais, e depois na alimentação humana. No século 19 tornou-se popular com a descoberta de sua aplicação na produção de açúcar e a criação dos primeiros engenhos. Sua popularidade foi incentivada por Napoleão quando o conflito entre França e Inglaterra abalou o comércio e impediu o acesso do continente à cana de açúcar. Nessa mesma época, a beterraba foi trazida pelos colonizadores espanhóis à América e aos poucos seu consumo se estendeu. E quando a Corte portuguesa, Dom João VI à frente, fugiu para o Brasil, com o objetivo de impedir que as tropas do corso conquistassem Portugal, trouxe consigo diversos cultivos, entre eles o da beterraba.
Uma das vantagens da beterraba é a quantidade que possui de potássio, mineral importante para o organismo. Os nutricionistas ensinam que ele exerce papel importante no equilíbrio da pressão arterial e na contração muscular. Mas a beterraba oferece outras qualidades, como a presença da betacianina. Esse composto, que lhe confere a cor avermelhada, é um dos vários antioxidantes que têm como função combater os radicais livres produzidos naturalmente pelo nosso organismo. A ingestão de compostos antioxidantes, incluindo a betacianina, está associada ao aumento da longevidade e à redução no desenvolvimento de doenças do coração.
Além de fazer bem para o organismo, a beterraba dá sinais de que poderá ser benéfica também para a saúde ambiental. Na Europa, é utilizada na produção de biocombustível. Em nosso país, estudantes de uma escola da cidade paulista de Rio Claro desenvolveram uma tinta à base de beterraba. A ideia do projeto é criar um produto diferente dos convencionais, que não utilize metais pesados prejudiciais ao meio ambiente e à saúde.
Quanto à receita deste domingo, é uma entrada preparada com beterraba, pepino em conserva, cebola roxa, alcaparras, gengibre, pimenta-do-reino branca, sal marinho. O sabor se acentua por conta de uma redução de balsâmico que faz toda a diferença. Montada em aro, arrematada com um galhinho de dill, fica espetacular sobre um prato branco.
As beterrabas podem ser cozidas ou assadas. Neste segundo caso, ficam ainda mais doces e enxutas, pois não perdem na água parte de seus elementos. Se você puder assá-las, o resultado é ainda melhor. Faça assim. Envolva as beterrabas (as menores são sempre melhores) em papel alumínio e leve ao forno bem quente por uma hora. Espete um garfo para ver se estão macias. Espere esfriar, desembrulhe e descasque. Corte em cubos bem pequenos. Outra opção é levar ao processador até que adquira o ponto de carne moída grossa. Reserve numa tigela. Prepare os temperos. Corte a cebola em pedaços miudinhos. Faça o mesmo com os pepinos retirados do vidro de conserva. Lave e escorra as alcaparras, pois em geral elas são bem salgadas. Rale o gengibre. Meça a pimenta-do-reino branca e o sal. Adicione estes temperos à beterraba cortada e reservada. Misture com um garfo e leve à geladeira. Prepare o molho. Numa panelinha misture aceto balsâmico, açúcar mascavo, azeite extra-virgem. Leve ao fogo baixo e deixe ferver até ficar em ponto de calda rala. Quando esfriar, coloque em molheira. Distribua a salada de beterraba numa travessa. Ou monte porções individuais num aro de metal apropriado, aperte com colher, retire o aro e decore com o molho. Enfeite com um galhinho de dill.
INGREDIENTES
6 beterrabas pequenas
1 cebola roxa pequena
2 pepinos em conserva
2 colheres (sopa) de alcaparras
1 colher (café) de gengibre ralado
1 colher (café) de pimenta do reino branca
1 pitada de sal
Para o molho
1 xícara (chá) de aceto balsâmico
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
1 colher (sopa) de azeite extra-virgem
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico