Zeppole di San Giuseppe


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Bolinho  frito polvilhado com açúcar, regado com mel ou acrescido de creme é item obrigatório na mesa do Dia dos Pais, celebrado na Itália em 19 de março, festa de São José
Bolinho frito polvilhado com açúcar, regado com mel ou acrescido de creme é item obrigatório na mesa do Dia dos Pais, celebrado na Itália em 19 de março, festa de São José
José  continua sendo  um dos nomes mais comuns no registro civil de homens nascidos  nos países latinos, ou seja, aqueles cujo idioma teve origem no latim vulgar.  É muito frequente no Oriente Médio, onde o vínculo étnico é forte: em sua etimologia Youssef  tem por significado  “acréscimo do Senhor” ou “Deus acrescenta”.  O apelo religioso é recorrente.  No Antigo Testamento, José é o décimo segundo filho de Jacó e Raquel; no Novo Testamento, o marido carpinteiro da Virgem Maria, mãe de Jesus. 
 
O Giuseppe  italiano do título se refere ao último José, que  nasceu provavelmente em Belém,  segundo o evangelista Mateus, e parece que teve seis irmãos. A tradição trouxe por dois milênios  a figura de um homem de temperamento humilde  e devoto, cioso dos mistérios divinos, talentoso na arte da carpintaria. Por volta dos 30 anos foi intimado pelos sacerdotes do templo, com outros solteiros da tribo de David, a se casar. Escolheu Maria, que só tinha 14 anos, era virgem e, segundo as Escrituras, ficou grávida “sem ter conjunção carnal com homem”. 
 
No contexto do Cristianismo, São José foi chefe de família exemplar. Desde o instante em que Maria lhe anunciou a gravidez; depois, fugindo com ela e o filho para o Egito; até o último momento em que é mencionado nos Evangelhos, no episódio em que Jesus adolescente se desgarra da família na festa de Páscoa em Israel. 
 
Antiquíssima na Itália é a devoção a São José; entende-se  pois que a data do santo tenha sido ali escolhida para celebrar o Dia dos Pais. Quanto ao  hábito de  preparar uns especiais bolinhos fritos para adoçar o 19 de março, dizem que tem pelo menos 150 anos. Crônica de jornal do começo do século passado atribui a Pasquale Pintauro a ideia de colocar, em março de 1860, uma frigideira na calçada de sua casa para aguçar o apetite dos napolitanos que iam à igreja fazer suas preces a São José. Os bolinhos, antes conhecidos com zeppole, passaram a  Zeppole di San Giuseppe.  
 
Atualmente servidos com açúcar, mel ou creme, o zeppole  marca presença nas  padarias italianas e nas  casas onde a mamma ainda se mantém fortemente vinculada ao lar. Lembra o sonho brasileiro que ainda encontramos com certa facilidade, mas já vai perdendo espaço para guloseimas menos artesanais. As receitas variam um pouco, mas um ingrediente comum a todo zeppole que se preze é o Strega, licor produzido na antiga Benevento, cidade que, em  época imemorial, teria sediado um encontro de bruxas digno do melhor Halloween. Giuseppe Alberti, um cara muito afeito à publicidade, criou a bebida de nome instigante, Licor da Bruxa, pois em  italiano a palavra streghe tem este significado. Associou-a a capacidades afrodisíacas e assim indiciada ela chegou ao século XX aparecendo até em filmes românticos. Na composição do licor entram cerca de 50 tipos de ervas e especiarias de diversas partes do mundo, como hortelã, canela, anis, pimenta, alecrim, mirra, açafrão e tutti quanti. O sabor e perfume do Strega, associado a raspas de limão e xarope de baunilha, conferem à massa do zeppole um gosto peculiar. Mas se você não o tiver, pode substituir por outro que seja à base de cítricos, como o Cointreau ou o Limoncello.
 
Comece descascando as batatas. Cozinhe até que fiquem bem macias. Passe-as  pelo espremedor por duas vezes, para obter um purê bem fino. Numa tigela grande coloque metade da farinha, misture o sal, reserve. Em outra tigela, que pode ser menor, misture fermento e açúcar até que virem um mingau. Acrescente o leite morno e misture. Escave um buraco na farinha e derrame dentro a mistura de fermento, os ovos inteiros, o óleo, o licor, a baunilha, as raspas de limão. Mexa de início com a colher e depois bote a mão na massa, acrescentando o restante da farinha. Coloque aos poucos para alcançar o ponto exato sem correr o risco de endurecer demais. A textura é importante: deve ficar homogênea e flexível. Unte uma vasilha funda, deposite a massa, cubra com pano e leve a um lugar mais aquecido (pode ser até o forno desligado) para crescer por uma hora. Volte a sovar, se necessário acrescente mais farinha. E enrole.
 
O mais difícil é enrolar. Pede paciência da primeira vez. Unte as mãos com óleo e faça cordões, como os de nhoque. Corte em pedaços de 8 cm, una as duas pontas e forme argolas. Vá depositando-as numa assadeira polvilhada com farinha. Faça todas, antes de começar a fritar no óleo bem quente, quatro ou cinco de cada vez. Quando estiverem douradas, retire com espumadeira e disponha-as sobre papel absorvente. Depois, arranje os bolinhos na travessa onde vai servi-los e salpique açúcar refinado. Esta é a opção mais simples e de que mais gosto. Mas um fio de mel em lugar do açúcar faz a alegria das crianças. Se for para impressionar, preencha os buraquinhos do zeppole com doce de leite, goiabada mole ou creme de confeiteiro. Como a massa leva pouco açúcar, o sabor do recheio não ficará excessivo. 
 
 
INGREDIENTES
 
 500 gramas de farinha de trigo
 150 ml de leite
 30 gramas de fermento biológico
 2 ovos
 2 batatas grandes
 2 colheres de óleo
 Casca ralada de um limão
 1 cálice de licor Strega
 1 colher (café) de baunilha
 1 pitada de sal
 Açúcar para polvilhar
 Óleo para fritar
 
 
porção: 20
dificuldade: média
preço: econômico

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