Um furto de fios de cobre na madrugada de ontem deixou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) sem telefone durante mais de 17 horas - a Telefônica Vivo restaurou o serviço às 19h de ontem. Sem poder ligar para o 192, mais de 300 pessoas tiveram que procurar outros serviços, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Guarda Municipal. A queda no total de chamadas foi de mais de 80%.
Essa é a terceira vez que os fios telefônicos que atendem ao Samu são furtados só neste ano. Diariamente, o órgão recebe cerca de 400 ligações e atende pelo menos 50 ocorrências, segundo o coordenador do Centro de Controle Operacional, Ricardo Nunes. Ele não descarta a possibilidade de registrar um boletim de ocorrência sobre o caso. “São muitas horas sem o serviço normalizado, se alguém falecer por falta de atendimento, precisamos estar respaldados.”
Para diminuir o impacto, um celular corporativo e o número dos telefones particulares de funcionários foram divulgados para os principais parceiros, a fim de que pudessem notificar a necessidade de ambulâncias. “Passamos esses contatos para PM, GM, bombeiros, hospitais públicos e Unidades Básicas de Saúde (UBSs), assim não deixamos de atender ocorrências mais graves”, explicou o responsável pela telefonia do Samu e coordenador de ambulâncias, Mário Arruda.
Com isso, apenas 70 ligações foram repassadas para o Samu ao longo do dia, o que representa 19% da média diária. Isso impactou outros telefones de emergência. De acordo com o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros de Jundiaí, foi sensível o aumento nas ligações. “Atendemos diariamente de 300 a 350 ligações. Hoje tivemos mais”, informaram.
O furto aconteceu por volta das 2h da madrugada e afetou, ainda, diversas outras residências da região da Ponte São João, próximas ao viaduto da Duratex. “Nós alertamos a operadora de telefonia que se trata de um número de emergência, não é justificável essa demora”, acrescentou Nunes.
A Guarda Municipal de Jundiaí informou, por meio de nota oficial, que possui uma câmera de monitoramento em frente ao Samu, mas o furto aconteceu a alguns metros, em uma área que não é monitorada, portanto não foi possível flagrar os ladrões.
Além do serviço de emergência, o Saec (Serviço de Atendimento a Pacientes Especiais e Crônicos) também foi comprometido. “Nós agendamos os transportes de um dia para o outro, então os do fim de semana e segunda-feira ficaram prejudicados. O Hospital São Vicente de Paulo e outras entidades têm ligado no meu celular particular para agendar horário, mas a procura cai drasticamente”, comentou o coordenador do Saec, João Natal.
Às 18h07 de ontem a Telefônica Vivo informou, por meio de nota oficial, o envio de uma equipe técnica para começar os trabalhos e solucionar o problema - o que ocorreu por volta das 19h. Questionada, a Telefônica Vivo não respondeu se adota uma escala de prioridades para linhas de emergência, como a 192, mas afirmou que o tempo sem o serviço será ressarcido na conta.