Engana-se quem pensa que os jogos on-line e de videogames são apenas lazer. Tem sido cada vez mais comum que os jogadores, chamados gamers, construam uma carreira profissional e consigam fama e dinheiro na área.
O e-atleta Ébio Bernardes da Costa Filho já acompanhava campeonatos dos conhecidos e-sports aos 12 anos. "Sempre fui fã de videogames e acompanhava competições virtuais, mas só aos 17 anos passei a me dedicar profissionalmente, quando disputei meu primeiro campeonato jogando Fifa e fiquei em primeiro lugar", diz.
O gamer reconhece o apoio de família e amigos. "Como era novidade, houve certa desconfiança no começo, mas ter sido vitorioso logo no primeiro campeonato serviu de incentivo", afirma.
Ébio é jogador profissional de Fifa e disputa campeonatos individuais e em duplas. "Campeonatos que são em duplas geralmente são de equipes ou clubes e acontecem uma ou duas vezes durante a temporada. Os individuais acontecem de 10 a 20 vezes e a temporada vai de setembro até agosto, se você ficar entre os melhores", diz.
O e-atleta já perdeu as contas da quantidade de conquistas. "A última vez que pesquisei, eram mais de 90 títulos. Em 2019 conquistei o título de Campeão Brasileiro, em torneio presencial. Já ganhei desde R$ 100 em campeonatos menores até US$ 3.500, quando terminei entre os cinco melhores em um mundial na Romênia", explica.
O gamer possui contrato com a agência holandesa Bundled. "Eles cuidam da minha carreira e patrocínios. Até mês passado eu estava no Wolverhampton, clube de futebol da Inglaterra que disputa a premier league. Fiquei por lá quase três anos", diz.
Durante a temporada regular, treinos diários variam de 6 a 8 horas. "Não gasto todo o tempo jogando, também estudo, assisto a jogos e cuido da parte física", ressalta.
Os e-sports têm grande potencial de crescimento. "O Fifa me deu conquistas que eu jamais imaginei. É difícil se dar bem, mas muito gratificante quando dá certo", afirma o e-atleta.
REDES SOCIAIS
Vinicius 'pOkiz', como prefere ser chamado, é criador de conteúdo de games on-line. "Em 2008 eu tinha um computador muito fraco e adiei meu sonho. Não sabia que dava para ganhar dinheiro assim, só queria fazer vídeos jogando Counter-Strike. Juntei dinheiro suficiente e, em 2016, investi em um computador potente e iniciei a trajetória", afirma.
O gamer faz lives pelo Facebook e YouTube e interage com os telespectadores. "Minha renda é baseada na performance do YouTube e tenho contrato fixo de lives no Facebook. Também ganho com a publicidade, quando as marcas pagam para aparecerem nos vídeos", explica.
As lives são feitas com amigos na internet ou individuais. "Me sinto muito confortável em criar vídeos para a internet, inclusive sozinho, pois tenho mais autonomia para fazer meus próprios horários. Nas lives, consigo dar mais atenção para quem está assistindo e converso com eles", ressalta.
Atualmente, são gastas 5 horas por dia fazendo lives ao vivo, além de gravar e editar vídeos para o YouTube. "Se somar os bastidores com a presença nas redes sociais, gasto cerca de 12 horas diárias neste trabalho. Dependendo dos vídeos e edições, dá para minimizar para 8 horas. Durantes os finais de semana eu descanso e me ocupo com outras atividades", diz.
Vinicius sempre recebeu o apoio da família. "Meus pais tinham pouco conhecimento sobre o assunto, mas sempre apoiaram. Já com as pessoas fora, ainda existe um preconceito e desinformação sobre trabalhos na internet, ainda mais com jogos, mas sempre ignorei", explica.
O principal conselho para quem deseja entrar no ramo é jamais abandonar os estudos sobre a internet e jogos. "Falhar faz parte e te faz crescer. Também tem que ser paciente, é normal criar conteúdo pra dez pessoas por semanas, meses ou até anos, até que você entenda como a internet funciona", aponta o gamer.