Dos 384 casos registrados de dengue em Jundiaí, 14 estão no Jardim Tulipas. Pode parecer pouco, mas o bairro aparece entre os quatro com maior incidência da doença, perdendo apenas para a Vila Comercial (116), Jardim Florestal (27) e Vila Hortolândia (18).
Apesar de a Vigilância de Saúde Ambiental (Visam), órgão da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), ter identificado transmissão focal entre abril e junho e já ter amenizado a incidência, os moradores seguem fazendo sua parte.
A recepcionista Ana Cristina da Silva Neves, moradora do Jardim Tulipas há mais de 10 anos, diz que o descuido dos moradores e a falta de fiscalização é um problema. "Não adianta eu cuidar das minhas plantas, por exemplo, e meu vizinho não. Não é falta de conhecimento, mas sim de conscientização. As pessoas deixam muito lixo e entulhos pelo bairro", reclama.
A aposentada Idione Andreotti sempre cuida de suas plantas e se preocupa com os possíveis focos de transmissão da doença. "Nenhuma das minhas plantinhas têm prato embaixo do vaso, então a água passa direto. Além de ter muitas penduradas também", conta.
Segundo Idione, há uns anos atrás ela chegou a receber trabalhadoras do postinho de saúde para verificar se havia focos de dengue na casa. "Infelizmente há pessoas que não cuidam de seus terrenos e isso acaba prejudicando a todos, trazendo outros problemas além da dengue", afirma.
De acordo com a manicure Grazieli Orlato Nicolau, nascida e criada no Jardim Tulipas, o descuido dos próprios moradores do bairro pode acabar aumentando os casos de dengue. "Eu e alguns familiares já pegamos essa doença e é uma sensação horrível. No começo pensei que fosse apenas uma gripe normal, mas fui piorando até precisar ir ao médico", explica.
Grazieli possui diversas plantas em sua residência e afirma que sempre tomou muito cuidado. "Todos os vasos são furados e não precisam de pratinho na parte debaixo. Mas por exemplo, tem um terreno atrás de casa que tem lixo e entulho acumulado, se tornando um local bem propício para ter focos de dengue. Além de um certo desleixo da prefeitura, que acaba não recolhendo tudo e nem fazendo uma vistoria mais grossa", ressalta.
De acordo com a Visam, a unidade acompanha áreas de provável risco, como Pontos Estratégicos (PEs) e Imóveis Especiais (IEs), no pronto atendimento às demandas feitas via 156 e na investigação de qualquer caso suspeito.
(Lucas Hideo)