Exemplo

Jovens atletas se inspiram nas 'meninas olímpicas'


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Entre dificuldades e obstáculos para o esporte feminino, as atletas brasileiras atingiram uma marca histórica em 2021, batendo o recorde de medalhas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos e, assim, seguem inspirando jovens atletas pelo país.

Das nove medalhas conquistadas pelas mulheres até o momento, três foram de ouro com Ana Marcela, na maratona; Rebeca Andrade na ginástica; Martine Grael e Kahena Kunze na vela. Duas foram de prata com Rebeca Andrade na ginástica e Rayssa Leal no skate street. E duas foram de bronze, com Luisa Stefani e Laura Pigossi no tênis e Mayra Aguiar no judô. Além destas, duas medalhas (ouro ou prata) já estão garantidas com o time feminino de vôlei e com a boxeadora Beatriz Ferreira, ambas disputam na madrugada deste domingo (8).

Para a skatista de street, Lavínia Gagliardo Oliveira, de 19 anos, uma de suas grandes inspirações para começar a jornada, foi a atleta Letícia Bufoni. "Desde pequena eu já tinha interesse e curiosidade pelo esporte e aos 12 anos ganhei meu primeiro skate para andar na rua de casa. Toda vez que abria a internet e as redes sociais para procurar vídeos de mulheres no skate, sempre aparecia a Letícia e foi assim que comecei a acompanhar e me inspirar nela", conta.

Com o tempo, Lavínia foi treinando e aprimorando suas manobras, hoje, ela já almeja grandes competições e até uma seleção brasileira. "O skate é um esporte de persistência e é preciso muita dedicação para acertar as manobras. E, como sou uma pessoa muito competitiva, sempre tento dar o meu melhor nas competições locais, almejando o pódio", ressalta.

Segundo Lavínia a comunidade do skate ainda é bem machista, com muitos olhares indesejados, principalmente pelo fato de ter uma mulher em cima do skate. "Mas também tem a parte das parcerias, pessoas que querem ver o meu melhor e que me ajudaram a evoluir", completa.

O skate é um esporte desafiador e que exige muito dos atletas, tanto fisicamente quanto psicologicamente. "Seja o esporte que for, a mulher que está inserida nele precisa se arriscar, independente o que os outros acharem. Já fiquei alguns meses sem andar por desconforto, em que chegava nas pistas e tinha vergonha. Então as mulheres precisam entrar de cabeça mesmo e darem o seu melhor, pois é o que importa no final", pontua.

Lavínia diz que ainda há poucas mulheres na competições de skate, mas afirma que isso vai mudar. "Agora com as medalhas olímpicas, espero que o poder público tenha mais ação, entenda a importância e dê suporte para promover esse esporte".

NO FUTEBOL

Para Luana de Lima Guitarri, de 18 anos, e goleira das categorias de base do São Paulo Futebol Clube, o apoio da família foi muito importante em sua recente e longa trajetória. "Comecei bem nova, no Paulista, fui melhorando até conseguir uma oportunidade no Palmeiras, depois passei por Corinthians e Santos. E, entre meus objetivos no futebol, como buscar minha profissionalização, jogar pela seleção brasileira é um grande sonho, além de disputar a Olimpíada também", conta.

De acordo com Luana, a estrutura do futebol feminino brasileiro está evoluindo, mas segue longe do que seria ideal. "Hoje eu conto com uma estrutura muito boa, ganho um salário, treino e moro no estádio do Morumbi", afirma.

Uma grande inspiração de Luana é a experiente goleira Letícia Izidoro, atualmente atleta do Benfica (Portugal). "Desde pequena eu assistia a Letícia jogar e hoje, eu a admiro de coração. Continuo acompanhando seu trabalho e já tive a honra de conhecê-la", ressalta.

Segundo Luana, a maioria dos clubes ainda não oferece condições para o futebol feminino evoluir. "Isso ocorre até nos grandes clubes do país, pois eles não incentivam o futebol feminino em si. Nós passamos por dificuldades que os meninos nunca irão passar e isso acaba desanimando muitas atletas. Ninguém leva a sério quando uma mulher decide que quer seguir seriamente no esporte. Mas vejo que o futebol está melhorando sim, em pouco tempo muitas coisas mudaram e o campeonato nacional está tendo cada vez mais visibilidade", aponta. (Lucas Hideo)

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