Café, desde os tempos da ferrovia, ainda tem espaço


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Jundiaí tem atualmente quatro produtores e 15 empresas do ramo de café, sendo seis comércios varejistas, cinco indústrias de fabricação de café solúvel e quatro de torrefação, moagem e empacotamento, segundo a Unidade de Governo e Finanças (UGGF) e a Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo (UGAAT). O número está bem longe do que a cidade teve nos tempos áureos do café em São Paulo, no século XIX, quando recebeu a São Paulo Railway, primeira ferrovia do estado com ligação até Santos.

De lá para cá, Jundiaí recebeu a uva, trazida pelos imigrantes italianos, e se tornou a terra da fruta. Depois, a industrialização chegou para ficar no município. Mas há quem ainda conserve a tradição do café na Terra da Uva.

Uma das localidades que mantém o plantio na cidade é a fazenda Nossa Senhora da Conceição, no Mato Dentro, que pertenceu ao Barão de Serra Negra. No auge, tinha 350 mil pés de café, hoje tem 4 mil. "A fazenda tem café desde 1850. O café, assim como se expandiu para o interior do estado, veio para Jundiaí, na ascensão do século XIX. O café era a cultura mais rentável", conta o historiador e educador da fazenda, Juliano Martins da Fonte.

Da Fonte diz que a mão de obra vinda de fora, porém, trouxe a uva. "Jundiaí foi núcleo colonial de imigrantes italianos e eles trouxeram a cultura da uva. A cidade também teve a industrialização logo em seguida, no século XX, por causa da produção têxtil. Este foi também um dos motivos para a diminuição do café. A fazenda produziu café até 1930, quando teve o 'crash' na economia. Neste ano entrou a cultura da uva, que ficou até 1945, mas foi mantido um pouco de café."

O educador conta que atualmente o café cultivado é orgânico e tem valor agregado mais alto, R$ 18 a cada 250 g, mas, de modo geral, a bebida vem ficando mais cara. "O brasileiro está mais exigente e passou a querer cafés com mais qualidade. A tendência é manter o valor elevado. A exportação de produto agrícola está compensando por causa do dólar, então o produto de qualidade que fica aqui fica mais caro. Em dois anos, a saca de café arábica foi de R$ 650 para R$ 1,4 mil. Uma outra variação, o canéfora, está cerca de R$ 1 mil a saca."

TRADIÇÃO

Gerente de marketing da Caiçara Alimentos, que produz um dos cafés mais tradicionais da região, Carolina Pignatta conta que a empresa atua desde 1950, mas o café não é daqui. "Nunca foi plantado em Jundiaí. Compramos o café cru de produtores de todo o Brasil, especialmente do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, e fazemos todo o processo, o blend, a torra, a moagem, o empacotamento e a distribuição."

A instalação da fábrica ocorreu na cidade por ser moradia do fundador. "O fundador da fábrica morava em Jundiaí, então, fez a empresa aqui. Hoje, a marca atende Jundiaí e região. O mercado consumidor brasileiro é bom. O café é a segunda bebida mais consumida no país e a nossa marca é bem consolidada por estarmos há muito tempo na região. Temos um público fiel e o brasileiro, de modo geral, é atrativo para café."

Carolina conta que o preço mais elevado do café hoje se deve a uma série de fatores, mas não é possível determinar um horizonte de diminuição no valor da bebida. "O preço mais alto não é porque estão exportando tanto, é por conta da produção em si. Quem aumentou o preço foi o produtor, porque teve geada, pandemia, alta do dólar. Quando a matéria-prima quadruplica o valor, é necessário o repasse. Embalagem também está mais cara e difícil de encontrar. É uma cadeia inteira, mas todos os alimentos aumentaram. Mesmo com o preço alto, o brasileiro toma café de qualquer jeito, às vezes migram para uma marca mais barata, mas o consumo não diminui."

BRASIL

Hoje o país é o maior produtor de café do mundo. A produção em nível mundial, estimada para o ano-cafeeiro 2020-2021, foi calculada num volume físico equivalente a 169,64 milhões de sacas de 60kg. Neste contexto, porém, o Brasil teve 26% menos café em 2021, o que fez o preço disparar.

Neste ano, a safra de café deve atingir 55,7 milhões de sacas. Caso a estimativa seja confirmada, há aumento de 16,8% em comparação à produção de 2021, ano de produção menor de acordo com a bienalidade da cultura. O resultado só não é melhor que os desempenhos registrados nos anos de 2020 e 2018, as duas últimas safras de bienalidade positiva, mas pode representar um refresco para o bolso dos que não abrem mão do cafezinho.

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