Celebramos, no dia 15 de agosto , com grande alegria, a Solenidade de nossa Santa Padroeira, Nossa Senhora do Desterro, e, nesta mesma celebração, inauguramos solenemente o Jubileu dos 60 anos da Diocese de Jundiaí. A seguir, recordo os principais trechos da homilia desta celebração histórica.
Reunidos aos pés da Senhora do Desterro, rendemos graças a Deus por seis décadas de evangelização (...) por tantos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e leigos que fizeram da própria vida um testemunho da alegria do Evangelho.
Sessenta anos não são apenas uma celebração temporal. São uma história de graça! Por isso, ao iniciarmos este Jubileu, nossa primeira atitude deve ser a gratidão. Olhamos para o passado não para permanecermos nele, mas para reconhecermos a presença de Deus em nossa história e, iluminados por essa memória agradecida, renovarmos nossa esperança e nossa missão.
Na primeira leitura, o profeta Oseias nos apresenta um Deus que se revela com a ternura de um Pai: “Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços” (Os 11,3). Deus não é um Deus distante. É o Deus que acompanha, sustenta, educa e conduz. E é justamente essa imagem que encontramos hoje na Senhora do Desterro.
O Evangelho nos apresenta a Sagrada Família diante da experiência dolorosa do desterro. José recebe a ordem do anjo: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito” (Mt 2,13).
Quando contemplamos a Virgem do Desterro, não contemplamos uma mãe distante do sofrimento humano. Contemplamos uma mulher que conheceu a estrada, o medo, a insegurança e, ao mesmo tempo, a confiança
Há momentos em que não compreendemos os caminhos da vida. Mas a história da Sagrada Família nos recorda que, quando Deus conduz, até o caminho do desterro pode tornar-se caminho de salvação.
Neste Jubileu, não queremos celebrar uma Igreja perfeita. Queremos celebrar uma Igreja que, mesmo com suas fragilidades, continua sendo conduzida pela graça. Uma Igreja peregrina, que sabe de onde veio, mas que também sabe que ainda está a caminho.
A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, oferece-nos justamente essa perspectiva: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem” (Hb 11,1). Muitos semearam sem ver todos os frutos, vivendo pela fé.
Nesta celebração, recordamos com gratidão aqueles que nos precederam, reverenciando, sobretudo, o testemunho dos pastores que edificaram a nossa Igreja Diocesana (...) Cada um, à sua maneira, deixou uma marca nesta Igreja Particular.
E hoje, na abertura deste Ano Jubilar, recordo (...) o lema que escolhi para o meu ministério episcopal: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 99). Quero que ele seja também um convite para todos nós neste Jubileu: “Sirvamos ao Senhor com alegria”, porque o serviço é a resposta de quem experimentou o amor.
Somos peregrinos de esperança! Somos povo de Deus a caminho! Caminhamos juntos, jamais sozinhos, como Igreja sinodal.
Senhora do Desterro, conduzi-nos neste Jubileu. Que saibamos agradecer o passado, viver com fidelidade o presente e caminhar com esperança para o futuro. E, com a oração da Igreja, possamos repetir com confiança: “E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”. Amém!
Dom Arnaldo Carvalheiro Neto é Bispo Diocesano de Jundiaí