OPINIÃO

Comunidades nas encostas do Jaraguá


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Com o repertório aprendido nos canteiros de obras das metrópoles, onde esses pedreiros trabalham, eles repetem conhecimentos estruturais provenientes da engenharia, mas os transformam em uma arquitetura espontânea, que atende ao que precisam para morar, viver e trabalhar. Esses conjuntos permanecem muitas vezes sem acabamentos externos até que o dinheiro permita revesti-los com massas e pinturas, inclusive com as cores fortes que já aparecem em alguns deles.

Contudo, o conhecimento sobre o prumo, o alinhamento, a resistência do solo e a proporção da mistura do barro ou da cal não está mais somente nos manuais, mas também na prática. Isso foi demonstrado nas pesquisas que fiz, na década de 1970, nas casas da Colônia em Jundiaí: casas construídas antes da instituição do código de obras, que fizeram daquele conjunto o mais genuíno grupo de casas vernaculares que encontrei.

Iniciadas pelos imigrantes com a fabricação de seus próprios tijolos, essas casas eram erguidas até a última telha colocada, com rapidez e sempre em conjunto. O pedreiro com maior conhecimento riscava a planta no chão e, a partir daí, os demais trabalhavam na execução dos alicerces, dos baldrames e das paredes, seguindo as orientações daquele que dominava o conhecimento técnico da construção. Como relatei no livro “Cem anos de Imigração Italiana em Jundiaí” (Estúdio RO, 1988), os alicerces e baldrames apareciam rapidamente, na medida certa das necessidades do colono.

A história muda, mas o modo de fazer permanece, aprendido agora na construção civil das grandes incorporações. O perigo é que, diante das mudanças climáticas extremas, essas construções e seus moradores ficam cada vez mais vulneráveis aos seus efeitos.

Eduardo Carlos Pereira é arquiteto, urbanista e historiador

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