OPINIÃO

O último que sair acende a luz


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A Copa do Mundo acabou no domingo. Não sei você, mas eu acho altamente melancólico o fim de uma Copa. Ainda mais quando ela acaba em um final de tarde de domingo. Nós, brasileiros, conhecemos bem o gosto de um final de tarde de domingo com a música do Fantástico abrindo alas para a iminente segunda-feira do Bom dia Brasil do saudoso Renato Machado.

Claro que  essa melancolia a qual me refiro ganha doses cavalares de “melancol” (componente químico que gera perda de potência que eu acabei de inventar) quando nos lembramos do desempenho da seleção e de como o time que tanto nos deu alegria não é mais nem a sombra do que já foi um dia.

Só não tivemos  mais “melancol” no nosso organismo porque a Espanha fez um favor para o mundo do futebol. Nossa melancolia só não é maior graças a melancolía de los hermanos.

O sentimento  após o final de uma Copa do Mundo é, para mim, igualzinho ao fim de uma festa quando todo mundo vai embora e você precisa arrumar a casa. É um parto à fórceps à luz da realidade. Quando você é adulto, nem direito de chorar você tem. Não dá tempo. A Poliana Abritta e a Maju Coutinho já estão se despedindo na TV.

E, diferente  dos tricampeões mundiais, aqui, no país das cinco estrelas, nossa segunda-feira pós-Copa perdida é seguida do período pré-eleitoral. Desde o famigerado 7x1 que não temos eleições tranquilas aqui nos trópicos. Depois do “Mineiraço”, um mineirinho não aceitou a derrota nas urnas para uma mineirona e choramingou até instaurar o caos com um  impeachment dois anos depois. De lá para cá, foi martírio na bola e na urna.

Esse ano,  o martírio na bola já veio. E isso faz com que a gente não queria carregar nosso cruzeiro do sul nas costas até outubro assistindo - seja na TV ou na internet - a peleja entre os candidatos e seus fieis seguidores, que farão de tudo para fazer desta corrida  eleitoral uma das mais sujas que esse país gigante por natureza já presenciou. E olha que estou falando do país que viu Collor ser eleito do jeito que foi.

Nós sabíamos  que esse momento ia chegar. O que fizemos foi, na verdade, nos ludibriamos durante 39 dias de futebol e ignorar o elefante verde, amarelo e azul anil chegando cada vez mais perto para injetar em nossas malemolentes nádegas muito “melancol” em horário eleitoral gratuito.

Eu poderia  muito bem ser um cético pirrônico e dizer “não vou tomar partido nenhum”, ou “que se exploda essa eleição”, ou mais comum ainda “no fim, é tudo farinha do mesmo saco”. Tentador, eu sei. Quem não gostaria de se auto-alienar em busca de ataraxia, ou seja, uma alma livre de preocupações?

Mas eu serei  aristotélico ao reafirmar que “o homem é um animal político” e platônico ao referendar que “quem não se interessa por política terá como castigo ser governado por aqueles que se interessam”.

Teremos que  fazer seis escolhas importantes em outubro. Serão seis votos que eu, você e todos brasileiros aptos a apertar os botõezinhos da urna eletrônica terão que dar. Portanto, agora é a hora de estudar cada um desses candidatos e candidatas que querem ter seus rostos  escolhidos antes do soar agudo do botão verde.

Não vou te  dizer o que você deve fazer. Quem sou eu para ter tal poder? O que posso fazer é dizer o que eu farei, como farei e o porquê farei. Se meus métodos e escolhas fizerem sentido para você, sinta-se à vontade para replicar.

E a primeira  coisa, a mais importante, é entender que é o fim da festa. O juiz já apontou para o centro do gramado. O chopp acabou. Os convidados foram para casa. Agora é hora de deixar a pecha de torcedor passional de lado e encarar de forma racional a dura realidade dos fatos.

Ao último  que sair: acenda a luz, por favor.
Conhecimento  é conquista.

Felipe Schadt é jornalista, professor e cientista da comunicação  

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